Opinião
O Discurso do Rei
O Discurso do Rei, filme premiado no último domingo com quatro estatuetas do Oscar, parece ter algo em comum com o discurso de outro ?rei?, o da Líbia, Muammar Gaddafi. As palavras de Gaddafi no seu manual político intitulado ?Livro Verde?, afirma que a população da Líbia ?tem o direito de lutar, por meio da revolução popular, para destruir instrumentos que usurpem a democracia?. Com quatro décadas estas palavras parecem nunca terem saído do papel. Ainda não se sabe qual será o futuro de mais este país, que enfrenta, assim como outras nações vizinhas as rebeliões populares e as violentas repreensões. Mas tudo indica que a história turbulenta da Líbia, vai longe. Gaddafi, uma pessoa excêntrica e cheia de estranhas manias, diz que não seguirá o exemplo do vizinho egípcio. Só entrega os pontos como mártir. Onde há abuso de poder, corrupção e opressão, mais cedo ou mais tarde, a força que parece estar adormecida, assim como um vulcão, pode despertar - trazendo violência, prejuízos ainda maiores ? movendo uma guerra civil. Há três mil anos, seguindo os exemplos do atual mundo árabe, os judeus, influenciados pelos vizinhos, se rebelaram ? só que para, incrivelmente, exigir uma ditadura. ?Queremos um rei como acontece em outros países?, insistiram. Havia insatisfação com os atuais governantes, ?interessados somente em ganhar dinheiro, aceitavam dinheiro por fora e não decidiam os casos com justiça? (1 Samuel 8.3) ? algo semelhante praticado pelos mercenários da guerra, contratados para serem fiéis ao regime de Gaddafi. Samuel explicou o risco deste pedido: riquezas, filhos, terras, tudo seria usado para atender aos caprichos do rei. Foi o que aconteceu. O primeiro monarca, Saul, tornou-se um legítimo ?Gaddafi?. No quarto reinado houve guerra civil e o reino ficou dividido entre Norte e Sul. A maioria dos reis agiram parecido, e tiveram um fim trágico. A bíblia não defende nenhuma forma de governo ou outro sistema. Mas uma coisa ela diz: ?Quando as autoridades cumprem os seus deveres, elas estão a serviço de Deus? (Romanos 13.6). E quais são estes deveres? ?Sejam honestos; sejam sempre corretos para que vivam? (Deuteronômio 16.20). Infelizmente, qualquer governo é falho, pois tem a mão humana, manchada pelo pecado. Eis aí o perigo de cada ?Gaddafi? com seu discurso, sua hora sempre chega. Por isto o contraste com o discurso de outro rei: ?O próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos? (Marcos 10.45). ?As bases do seu governo serão a justiça e o direito desde o começo e para sempre? (Isaías 9.7). Este sim é um bom discurso digno de óscar! (*) É pastor da Igreja Luterana em Maceió.