Opinião
Um s�bado de alegrias e aperreios
Sábado passado, logo cedinho estávamos ali no início da Pajuçara, onde se concentra o bloco Pinto da Madrugada, para mais um dia deste desfile que já faz parte da galeria afetiva dos alagoanos. A rotina inicial é a mesma de todos os anos: receber as orquestras que veem do interior, instalá-las no seu lugar na estrutura do bloco, posicionar os carros alegóricos e a Pintoca e driblar os bêbados que sobraram de Jaraguá. Enquanto os foliões mais madrugadores estão acordando e tomando o seu café, a diretoria já está enfrentando os seus primeiros problemas: as orquestras que deveriam estar todas presentes, no máximo ás 7 horas,a cada ano chegam mais tarde. A última só adentrou a avenida às 9h30. E, sem orquestra não existe bloco. Também, o folião, ao contrário do folião do Galo da Madrugada, não chega cedo à concentração. Há mais de 20 anos que vou ao Galo e sempre chego à sua concentração antes das 7 horas da manhã. Gosto de ver a azáfama da expectativa de seus diretores,seus brincantes, no que sou acompanhado por milhares de outros curiosos. Aqui,saímos às 9h30 e eram tão poucos os foliões que o Braga Lyra,comentou preocupado: ? Davi,este ano não tem ninguém...?. Eu tranquilizei-o: ?É só questão de tempo que o folião aparece?. Soltamos os fogos e saímos, mesmo sem ninguém. Logo a avenida estava totalmente tomada pelos foliões. Então, foram as muitas fantasias, a cada ano mais variadas e belas. Os turistas de vários cantos do País. Um grupo grande de Ibituba, São Paulo, em pleno desfile veio nos abraçar e exclamar que há 11 anos ( a idade do bloco!) que participa entusiasticamente do desfile. Mais na frente, as delegações do interior do Estado. Grupos grandes de foliões, com camisetas ornamentadas e estandartes próprios, como o de Mata Grande no Pinto! Outros municípios também com camisetas e estandartes próprios, como O Moreninha, já tradicional no Pinto. Em frente a um hotel, paramos para fazer as homenagens à Marcial de Lima, que estava lá em uma varanda com a família. Os clarins de Momo o saudaram, depois o coral e a orquestra Pajuçara no Frevo,da Pintoca entoaram alguns de seus frevos. Foi um momento supremo. Mas não foram só confetes e serpentinas. Tivemos muitos problemas: ambulantes, grupos com estruturas pesadas de apoio, que prejudicam os outros foliões. Trios elétricos no trajeto do desfile. Estruturas gigantescas de som que não tem nada a ver com o bloco. Orquestras e blocos piratas na frente do Pinto.Mas, hoje, é carnaval,e a alegria por efêmera, sempre deve ser aproveitada ao máximo. Saldo positivo. (*) É médico e professor da Uncisal.