Opinião
Para mulheres
O governo federal anuncia, justamente no Dia Internacional da Mulher, a qualificação, até 2014, por meio de programa coordenado pelo Ministério da Educação, de meio milhão de professores nas questões de gênero e diversidade. A decisão é da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, órgão ligado à Presidência da República, e tem o intuito de iniciar uma mudança cultural a longo prazo, que tenha reflexos na condição da mulher no mercado de trabalho. O governo deverá anunciar um plano de erradicação da extrema pobreza, construído com políticas públicas especiais voltadas para as mulheres e para as crianças. A expectativa é que a agenda do futuro programa seja extremamente feminina e insista no ?emponderamento? das mulheres já verificado, por exemplo, no próprio Bolsa Família (93% dos cartões do programa estão em nome das mulheres); no Programa Minha Casa, Minha Vida (o imóvel fica preferencialmente no nome da mulher); e no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que tem linha especial para financiamento de agricultoras. Estatísticas indicam que as mulheres já representam 41% da força de trabalho e chefiam 35% das famílias brasileiras. Porém, mesmo mais escolarizadas que os homens, o rendimento médio delas continua inferior ao dos homens. As mulheres ocupadas ganham em média 70,7% do que recebem os homens. A situação se agrava quando ambos têm 12 anos ou mais de estudo. Nesse caso, o rendimento delas é 58% do deles. Ações como esses programas são cada vez mais necessárias para o País avançar no combate às desigualdades de gênero e raça em nosso País e suas conseqüências. No enfrentamento desses problemas sociais que devem reconhecidos como seriíssimos, causas de protestos e de empenhos por soluções não só em campanhas eleitorais e datas comemorativas.