loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Cidade dormit�rio

Ouvir
Compartilhar

No dia 31 de janeiro meu pai completou 92 anos de idade. De uma origem humilde em Paulo Jacinto, onde iniciou sua longa labuta pela sobrevivência, ele estava com uma qualidade de vida bastante satisfatória: muito lúcido, fazia uma pequena caminhada diária até a praia onde sentava-se e demorava-se apreciando o mar, as pessoas, o mundo; alimentava-se bem, lia bastante, via TV, até que uma gripe fortíssima o abateu. Embora medicado precocemente, ele que já pusera 3 estentes coronarianos 4 anos atrás, evoluiu para uma pneumonia dupla,depois agravada com um tromboembolismo pulmonar que o levou desde então a se internar por 3 vezes na Santa Casa de Maceió, onde aos cuidados de uma competentíssima equipe médica, constituída por geriatras,pneumologistas e cardiologistas,continua lutando pela vida. Assim, suspendi a minha ida a Recife e Olinda, onde completaria 25 anos seguidos de participação no carnaval. Do carnaval ficaram para mim apenas algumas gratas recordações dos amigos, que já em Recife se lembraram e telefonaram, como o Osvaldo Viegas,o Wanderley, o Eduardo Lyra telefonando lá do Marco Zero em plena cerimônia oficial de abertura. No sábado de Zé Pereira, dois telefonemas do Júnior, um dos clarinetistas da comissão de frente do Galo da Madrugada, justamente no momento em que os clarins anunciavam a saída do bloco. Depois, foi hospital com meu pai, vídeos na TV, alguns livros, enfim, a rotina diária. Há mais de 20 anos ausente de Maceió nesta época carnavalesca, fiquei impressionado como o esvaziamento da cidade. Seu tédio provincial. Ivanelza, conversando com um casal de turistas,que tomava banho de mar na Ponta Verde,pois as estradas para os litorais Norte e Sul estavam intransitáveis, viu-os também sem opções para o que fazer após a praia, principalmente pelo filho de 10 anos. Desorientados, perguntavam se nem os shoppings ? refúgio dos sem programa ? funcionavam? Porque os restaurantes fechados? Os que alardeiam ser Maceió o destino dos que no carnaval querem só sossego, já se deram ao trabalho de averiguar quantos destes voltam uma segunda vez nesta época? Meu pai, graças a competente e dedicada equipe médica e sua imensa vontade de viver, está conseguindo superar estes grandes desafios, isto é o principal. Mas, Maceió tem que ser este torpor no carnaval? As autoridades não podem pensar em um mínimo de opções para oferecer aos turistas e aos moradores? Ou vão se conformar com a comodidade preguiçosa e sem vida de cidade dormitório? (*) É médico e professor da Uncisal.

Relacionadas