Opinião
� querida dra. Aydil Lessa
O que dizer a uma mãe extremosa, diante de tamanha crueldade? Qualquer palavra é vazia, insípida e inatingível... A trágica e prematura morte de Flavius Durval Lessa Braga deixou em choque a sociedade alagoana. O talentoso designer aliava competência e carisma. Enriqueceu com seus projetos e magníficas decorações dezenas de salões, não só alagoanos, mas de vários Estados do Brasil. Também no campo da moda ficou um vazio impreenchível. Herdou de sua mãe simpatia, bom humor e alto astral. Trabalhei com Aydil, competente ginecologista e obstetra, durante anos no Posto do Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social) conhecido por nós como Pam Avenida por ser localizado na Av. Duque de Caxias. Atendíamos a pacientes de Maceió e, sobretudo do interior, o que nos acarretava uma grande demanda de doentes. Como eu dirigia o Pam, Aydil continua chamando-me, carinhosamente, de ?Chefinha?. Nunca ouvi Aydil reclamar do excesso de pessoas para consultar. Tinha sempre uma palavra risonha e bem-humorada para suas inúmeras gestantes. Mãe companheira e amiga orgulhava-se da atuação e destaque de seu filho. Suas palavras definem bem seu sentimento: ?Flavius era tudo na minha vida, um bom filho, meu companheiro um grande parceiro, motivo de orgulho para qualquer mãe, o meu amigo, um profissional que se projetou muito bem. Fica uma grande saudade e uma grande perda?. Flavius participou vários anos da Casa Cor Pernambuco, além de fazer sucesso em São Paulo no campo da moda, decoração, designer e fotografia. Sensibilizou-me as palavras de Bráulio Pugliesi: ?... Enrolado numa teia de tristeza e saudade, sem entender as contrariedades da vida, como essa sua partida para outra constelação?. A impunidade brasileira e, sobretudo a alagoana, é um fator estimulante aos mais amplos delitos. Esperamos que esse crime não seja mais um entre os inúmeros não esclarecidos e impunes. A sociedade exige a apuração e punição dos culpados. À querida mãe Aydil, à irmã Mayra e demais familiares, nosso pesar e solidariedade. Só a fé cristã, o conforto dos amigos, a ação da Justiça condenando os criminosos podem atenuar tamanha tristeza. A obra de Flavius se perpetuará, endossando o pensamento do escritor americano Balley Ardrich: ?O que é belo não morre: transforma-se em outra beleza?. Façamos nossa as palavras do romancista e poeta mexicano Amado Nervo: ?As pessoas que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós?. Descanse em paz caro Flavius! (*) É médica e empresária de turismo.