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Mulheres vis�veis e invis�veis

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Quando me refiro à minha mãe, extremosa e abnegada ? e nela faço abrangência a todas as mulheres da família e do todo social ?, não penso nela como representação de um dia comemorativo (Dia Internacional da Mulher), porém alargo essa homenagem em todas as folhinhas, retiradas, diariamente, de meu calendário pendurado na parede. Todavia, a criação do Dia Internacional da Mulher tem o sentido afirmativo de relembrar a luta de mulheres que morreram lutando por direitos que lhes eram negados. Em 08 de março de 1857, em Nova York, trabalhadoras têxteis foram queimadas na fábrica onde trabalhavam. Protestavam por melhores salários e condições de trabalho. Portas fechadas, incêndio criminoso, chamas devastadoras destruíram o local e 120 mulheres foram mortas. Quando buscamos explicar a existência da mulher, vemos que isto está acima de nosso entendimento puramente racional, pois como dizia o estudioso Joseph Campbell: ?para o que está além da explicação humana, tende-se a usar formas mitológicas que tentam justificá-las. Por isso, a imagem feminina, ao longo do tempo, tem sido comparada à deusa-mãe, à natureza, à Vênus, deusa do amor.? É fato, que todos, sem exceção, para estarmos aqui, tivemos que habitar o ventre de uma mulher. Em uma ligação de inteira dependência fomos cuidadosamente assistidos por cada célula de seu corpo. Fomos nutridos e aquecidos em um processo que exigiu paciência e dedicação de seu organismo. E quando nos pareceu que o esforço maior já havia sido superado, chega a hora do nascimento, e, logo após, a infância, a adolescência e a maturidade. Numa reflexão breve percebemos que em toda a nossa existência tivemos uma mulher como alicerce de vida. Estudos recentes mostram que, nos países mais pobres, ?para cada ano a mais de instrução da mãe, a taxa de mortalidade infantil diminui nove mortes em cada mil nascimentos.? Creio que na maneira feminina de pensar e agir está a chave de uma vida melhor. Penso em Anilda Leão, presença na literatura e símbolo da luta pelos direitos da mulher; penso nas mulheres que subiram os degraus da hierarquia social, educacional, empresarial, na magistratura, na política e na administração; penso nas garis e nas mulheres do campo em seu trabalho ao sol. E penso, sim, nas mulheres invisíveis, mulheres do lar, devotadas à família, nem sempre reconhecidas, porém sempre tão necessárias. Todos os dias são dia da mulher, para parabenizá-las e agradecer por tão dedicada presença em nossas vidas. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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