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Opinião

O justo viver� pela f�

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O ato de crer, frequentemente, passou a ser compreendido como uma decisão de âmbito privado, sinônimo de pensamento mágico. Também se convencionou considerá-lo como crença individual em um mito. Conseqüentemente, o conhecimento adquirido pela fé é conhecimento mítico, desprovido de qualquer valor racional. No entanto, o ato de crer é muito mais do que uma simples projeção daquelas qualidades heroicas aneladas pelo homem. Não se trata do alívio para as questões da existência cujas respostas não foram encontradas. Crer é primeiramente a experiência com um outro; é uma atitude relacional. Não se trata aqui de um diálogo interno com a própria consciência. Crer é uma relação com um Outro para além do próprio homem. Este Outro vem ao encontro do ser humano, entra em sua vida, mostra-lhe quem é, e espera dele uma resposta. Crer é dizer sim a Deus que se revela. Esse Deus é totalmente diferente do homem. Por isso é uma relação de fé. Caso se tratasse de uma projeção humana, ocorreria o movimento contrário: era Deus quem daria respostas aos caprichos humanos. Não haveria conflito: Deus estaria sempre pronto a acolher o homem e preenchê-lo, sem que esse diálogo gerasse uma transformação radical. Em modo contrário, caminhar na fé é dizer sim e assumir os conflitos e desafios que virão. É apostar em Deus, abandonando-se Nele. A fé, nas palavras da Carta aos Hebreus, ?é a garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se vêem? (Hb 11,1). Crer é experimentar Deus e suas maravilhas realizadas em Jesus, na esperança de sua plenitude. Essa experiência é tecida no dia a dia, entre desânimos e certezas, vitórias e derrotas, principalmente quando Deus e seus desígnios parecem distantes dos projetos humanos apequenados diante de um Deus imenso. Essa experiência de conflito e desafio forja um homem novo, renascido em Deus, cujo protótipo é o Cristo ressuscitado. Para o homem novo renascido na fé, crer se torna um modo de viver. ?O meu justo viverá pela fé? (Hab 2,4a). O justo, o crente, vive na fé e pela fé porque o conhecimento nascido da relação com Deus é algo vivo que ilumina a sua existência: seus afetos, sua inteligência, sua vontade. Justamente por prover de fora, por ser revelado, tal conhecimento é algo novo, inaudito, renovando no homem sua maneira de ler os acontecimentos da vida. (*) É diácono ([email protected]).

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