Opinião
Encontro hist�rico
Inicia hoje um encontro histórico entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Neste momento as duas presidências, dos dois países, estão ocupadas por personagens icônicos por representativos de setores até então considerados discriminados nas duas nações. A figura de um presidente de pele negra nos Estados Unidos foi, durante algum tempo, um personagem de ficção, algo tido como tão radical e improvável que apenas nas últimas décadas tal suposição, de certa forma provocativa, chegou às superproduções do cinema americano. Uma mulher na Presidência da República brasileira era, igualmente uma piada nem tentada pelas nossas telenovelas ou programas humorísticos. Até mesmo depois do lançamento da candidatura apoiada pelo presidente Lula, a maioria dos analistas políticos tupiniquins duvidava da eleição de uma mulher (especialmente uma mulher sem vivência na seara eleitoral) para o Planalto. As duas eleições, de Barack Obama e de Dilma Rousseff, romperam paradigmas e impactaram por serem inusitadas. Contabilizando mais tempo no mandato, Obama acumula dificuldades. Como reflexo da grande crise americana inciada no estouro da bolha da especulação imobiliária e turbinada pelas custosas ocupações do Iraque e Afeganistão, o presidente dos Estados Unidos tem enfrentado múltiplas dificuldades. Ainda na faixa dos 100 dias de governo Dilma tem tido mais sorte e, com medidas antipáticas como o duro corte no Orçamento 2011, prepara-se para tempos mais difíceis na economia (talvez esteja aprendendo na experiência vivida pelo primeiro negro no comando da Casa Branca). Até pelas crises e recentes desencontros este é um grande momento para Brasil e Estados Unidos repensarem e remodelarem seus acordos, sua aliança histórica. Inovar neste campo seria ótimo para os dois inovadores.