loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
segunda-feira, 03/08/2026 | Ano | Nº 6280
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Fukushima e a medicina

Ouvir
Compartilhar

Quando comecei a exercer a medicina no final de 1975, para tratarmos os pacientes com câncer com radioterapia, usávamos dois tipos de elementos radioativos, os potentes cobalto 60 e radium 226. O cobalto 60, constava de uma pequena fonte radioativa de 2 centímetros que ficava resguardada dentro de uma máquina imensa, a bomba de Cobalto, de onde emitia um feixe de radiações ionizantes que iria atuar no DNA das células cancerosas, exterminando-as. As fontes seladas de radium 226, eram inseridas dentro do útero das mulheres com este tipo frequente de câncer; as pacientes precisavam ficar internadas 96 horas, era a braquiterapia convencional. Durante este longo período elas não podiam se mexer no leito, nem receber visitas, pois o ambiente era densamente contaminado pela radiação ionizante. Hoje, as Bombas de Cobalto foram substituídas por máquinas extremamente modernas, os aceleradores lineares, que entre outras vantagens não têm elemento radioativo em seu interior, além dos tratamentos serem feitos com auxílio de sistemas de planejamento computadorizados tridimensionais, que lhes permitem imensa precisão na localização das células cancerosas e na proteção do tecido são. E as braquiterapias são feitas com irídio, elemento radioativo que é veiculado através de um robô; tudo controlado por sistema computadorizado tridimensional e em vez de 96 horas em internamento, o tratamento se faz em 15 minutos ambulatorialmente. O uso de radiação ionizante em medicina tem evoluído tremendamente. Cerca de 6 milhões de pessoas anualmente se tratam com câncer no mundo desta forma. Além do que um número infinitamente maior se beneficia da radiação ionizante para diagnosticar além do câncer, as doenças coronarianas,endócrinas,vasculares e muitas outras.O uso da radiação ionizante em medicina é hoje extremamente corriqueiro, seguro, efetivo, insubstituível e indispensável. Já as usinas nucleares que funcionam para produzir energia,embora o avanço tenha sido similar, apresentaram alguns acidentes, raros diante da quantidade total das que operam mundialmente; pode-se contar nos dedos de uma mão: Chernobyl,Tree Miles Island e agora o Japão, em decorrência de um tsunami. O uso da energia nuclear em um mundo que a cada dia precisa mais e mais de energia,não poderá ser descartada a médio prazo e talvez nunca o seja. Em medicina o uso desta forma de energia não tem substitutos viáveis. Na geração de energia,embora outras fontes sejam bem vindas, será preciso aprimorar os mecanismos de segurança nuclear, mas é provável que tenhamos que conviver para sempre com as usinas nucleares. (*) É médico.

Relacionadas