Opinião
Sociedade alvejada
Várias vezes a imprensa é acusada de privilegiar A e não B, na maioria dos casos, injustamente. Este comentário talvez seja lido desta forma, pois distinguirá um dentre muitos homicídios cometidos em Alagoas. Distinção, porém, feita em benefício de um exemplo digno de ser observado como emblemático de uma duríssima realidade alagoana. Este é o caso do assassinato do capitão Luacir Albuquerque Macário, 49 anos. O oficial da Polícia Militar de Alagoas foi trucidado por reagir a uma suposta tentativa de assalto, perpetrada em plena luz do dia, quando um grupo de meliantes invadiu sua residência. Fuzilado por reagir a um assalto ou por crime de encomenda em função de sua atuação como policial, o fato é que um ? qualquer um ? integrante da polícia é, antes de tudo, um servidor público formado para proporcionar segurança à toda comunidade. O agente do Estado, o ser trucidado, sofre uma espécie de morte dupla. Ali foi morto um cidadão como outro qualquer e, simultaneamente, foi destruído um pilar de segurança que serve a toda comunidade. É emblemático, portanto, o assassinato do capitão Macário. Distinguimo-lo, sim, dentre os muitos assassinados em Alagoas nesta quadra de tempo estupidamente letal. Ali se fez a diferença, como no caso do policial civil Anderson Silva, exatamente porque está sendo liquidado, sem nenhum temor por parte dos homicidas, uma referência de segurança pública para toda a sociedade. A morte do policial, em tais circunstâncias, é o trucidamento da autoridade do Estado, é a desmoralização da segurança pública. É um momento onde a esperança é alvejada mortalmente. E o pior, como o pai do oficial morto declarou, é que mesmo que toda a quadrilha seja presa, a maior probabilidade é que, dentro de pouco tempo os assassinos estejam de volta às ruas, ?ressocializados?.