Opinião
Descren�a perigosa
Reclamações e promessas são as marcas dos pronunciamentos dos setores responsáveis pela segurança pública em Alagoas. Reações naturais em momentos de crise, só que relamos e prometimentos têm de sair do campo das palavras e adentrar ao terreno da prática. Tal é a balbúrdia na área que a polícia digladia-se consigo mesma em ataques e cobranças mútuas enquanto o governo centra sua política em pedidos de socorro. Enquanto isso, multiplicam-se os crimes e as quadrilhas proliferam em ritmo assustador. A reação policial, mesmo quando coroada de êxito, termina se diluindo como fatos (positivos) isolados num mar de negatividade. Este é o caso da prisão de três acusados de participarem da tentativa de assalto que findou no assassinato do capitão PM Luacir Macário; o que seria uma prova de proficiência policial termina levantando mais críticas (várias injustas) que elogios em função da não elucidação da maioria das ocorrências. Um dos mais recentes projetos anunciados, o retorno (em novo formato) do policiamento integrado nas comunidades é a mais nova aposta da segurança pública. Toda a sociedade torce para que essa e todas as demais iniciativas deem certo, mas o descrédito popular é imenso. Essa descrença termina sendo um grande fator negativo, pois a desesperança é um dos piores inimigos do avanço, da solução de qualquer problema. E como bem disse o secretário de Defesa Social, é fundamental o envolvimento da população. Mas, infelizmente, cresce a cada dia a incredulidade do povo acerca da capacidade de reação governamental ao avassalador crescimento do crime em Alagoas. Recuperar a credibilidade, reacender a chama da esperança na população alagoana deveria ser o principal objetivo dos que fazem a segurança pública em nosso Estado. Todas as estratégias, além das condições materiais, precisam dessa base intangível de apoio.