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Opinião

A carta do col�quio

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O Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo esteve em Maceió para participar do evento Colóquio de Prevenção e Redução de Homicídios, onde o governador Teotonio Vilela manifestou o desejo de que Alagoas merecesse o mesmo tratamento que o governo federal dera ao Rio de Janeiro. Do colóquio fora produzida uma carta de generalidades que imaginava não caber no evento, simples constatações das variadas formas de violência que colocaram o Estado no topo da insegurança nacional. No colóquio diário com a população de Marechal Deodoro, principalmente com mães que perdem seus filhos para as drogas e depois para os homicídios, com mulheres vítimas de violência doméstica, com empresários que não sabem mais o que fazer com os constantes furtos e roubos que lhes vitimam diariamente, com pessoas ordeiras que veem proliferar a formação de bandos abrigados por torcidas organizadas de times de futebol e pontos de venda de drogas que se multiplicam, a carta parece não lhes ser endereçada. Quando Alagoas recebeu a consultoria de renomados sequestradores vindos de outros Estados para transmitir seus conhecimentos aos presos do Baldomero Cavalcante, a rentável atividade criminosa se espalhou pela Terra dos Marechais, surpreendendo a todos. Em colóquio menos pomposo e com muito menos especialistas, representantes da polícia, justiça e ministério público resolveram, sem documentar em carta ou mesmo simples bilhete, acabar com a festa dos sequestradores. Quando ocorria o sequestro, a polícia logo tomava as providências iniciais com a família vitimada, comunicava aos juízes e promotores envolvidos no combate e solicitava medidas que rapidamente eram atendidas ? interceptação telefônica, mandados de busca e prisão, ou quaisquer outras medidas necessárias à investigação. Com muito prazer, testemunhei delegados, juízes e promotores juntos na trincheira de luta contra o novo crime. Os consultores foram mandados para seus estados de origem e o crime foi controlado. O alvo agora é o crack, a mais devastadora das drogas, que impulsiona seus usuários ao crime, começando por pequenos furtos, seguidos de roubos e homicídios. O viciado é tratado como doente e o Estado não apresenta possibilidades de recuperação, ou quando oferta, deixa que o paciente decida se quer ou não o tratamento, como se ele tivesse o discernimento para tal. As prisões de craqueiros com arma de fogo são cada vez mais comuns, mas as rápidas passagens pelo cárcere, só alimentam o sentimento de que o crime compensa. Os traficantes de crack fazem a gestão do negócio de forma violenta, punindo devedores e concorrentes com execuções sumárias, sem muito cuidado com testemunhas, pois têm a certeza do silêncio delas ? se falar morre. O ciclo do negócio criminoso precisa ser interrompido, e a forma pode ser a mesma empregada no combate aos sequestros, documentada em carta ou não. (*) É delegado de Polícia Civil ([email protected]).

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