Opinião
Repensar o renascer
O ?renascer nuclear? é decorrente das pressões ambientais para a diminuição das emissões de CO2 que influem no aquecimento global. A descarbonização das economias é meta de todos os países desenvolvidos e desejo dos que ainda estão em processo de desenvolvimento. Por emitir menos CO2 que as eólicas, as usinas nucleares são consideradas geradoras de energia limpa, substituta dos combustíveis fósseis e alternativa de consenso de toda política energética. Atualmente, existem 443 reatores nucleares operando em 29 países, gerando 15% da eletricidade produzida; em 2030, mais 158 estão planejados para entrar em funcionamento num total de 54 países. A controvérsia sobre o seu uso está na mínima possibilidade de vazamento radioativo pernicioso à saúde e na guarda dos rejeitos. A preocupação com a segurança é uma rotina nas usinas nucleares, mas o trágico acidente ocorrido no Japão deve provocar uma revisão nos conceitos de toda a indústria para que não se repitam. Acidentes nucleares são sempre considerados graves pelos técnicos do setor, razão pela qual as usinas devem ser operadas com extremo rigor. Em Angra 1 e 2, e futuramente em Angra 3, os sistemas de controle e prevenção são multiplicados por 4. A tragédia no Japão não aumentou a percepção de risco em Angra porque a região não está sujeita a terremotos de 8,9 na escala Richter, nem a tzunamis de dez metros. As usinas brasileiras, que já operam há 25 anos, têm elementos de segurança que Fukushima não tem. Um deles é o geológico. Estamos no meio de uma placa tectônica que se afasta de outra, quando no Japão elas colidem. O outro é de ordem técnica. Os reatores no Brasil são de água pressurizada (PWR), contendo assim mais barreiras contra a liberação de radioatividade, enquanto no Japão são de água fervente (BWR). O Governo deve repensar o Plano de Emergência porque pelos critérios atualmente utilizados pela Eletronuclear, que são os mesmos dos EUA (exclusão, evitação, adequação e pontuação), não deveríamos ter usinas nucleares em Angra dos Reis. As quatro centrais planejadas para o Brasil até 2030 (2 no Nordeste e 2 no Sudeste) seguem esses critérios. O grave acidente ocorrido nas usinas japonesas não condena a energia nuclear, mas reacende o debate sobre o seu uso. Entender o que houve é crucial para que sejam melhorados ainda mais os sistemas de segurança das termonucleares. O aumento na segurança deve elevar os custos e pode flexibilizar a inviabilidade ambiental da construção de reservatórios nas hidrelétricas. (*) É secretário de Estado Adjunto de Minas e Energia.