Opinião
Mais pontos cegos
Tão banalizados estão os assaltos em Alagoas que não fosse um hospital famoso o alvo dos bandidos, ninguém teria a atenção atraída para a ocorrência. Afinal, assalto à mão armada passou a fazer parte do cotidiano alagoano. Mas a incursão dos bandidos contra o Hospital do Açúcar chamou a atenção pelo fato daquele nosocômio ser um dos pontos referenciais para a saúde em todo Estado e por não ser tido como um lugar onde possa circular dinheiro capaz de atrair a bandidagem. Pelo informado à imprensa, inexistiria valores pertencentes a instituição ao alcance dos bandidos no momento do assalto, mas para não voltarem de ?mãos abanando?, os meliantes subtraíram aproximadamente R$ 310,00 das duas funcionárias retidas e mais R$ 400,00 referentes a um pagamento feito por usuário. Levaram também celulares e objetos que consideraram dignos de roubo. E foram embora sem que fossem vistos, filmados ou fotografados. O caso só foi descoberto algum tempo depois por acaso, graças a um funcionário que passou na sala e viu as duas vítimas amarradas e amordaçadas. Ainda segundo as informações repassadas para a mídia, os assaltantes teriam tido ?acesso a informações privilegiadas?, pois teriam logrado alcançar a sala desejada sem serem registrados pelas câmaras de segurança, percorrendo um trajeto com ?pontos cegos?. Algumas perguntas emergem dessa confusão toda: já que existem sistema de filmagem de segurança (mesmo com deficiência visual em determinados pontos) por que o local onde depositam-se valores (provavelmente o caixa da instituição) não está coberto pelas câmaras? E por que este local está tão escondido a ponto de bandidos terem conseguido entrar, amarrar, amordaçar, catar dinheiro, depenar as vítimas e sair sem serem notados? Desta forma mais parece um convite aos ladrões.