Opinião
Uma semana para esquecer
Como se fosse um desses filmes de catástrofe, a situação internacional complicou-se bastante esta semana: no Japão, agravou-se a questão das usinas nucleares; na Líbia,configura-se o início de mais uma guerra, que como outras não parece ter um fim aprazado. A periclitante situação do convívio entre israelitas e palestinos voltou a agravar-se com a volta de atentados contra civis israelenses, que há vários anos não ocorriam. Nacionalmente, em que pese acreditar que a Constituição seja a lei suprema,e como tal, está acima de qualquer outra, confesso, estou entre os muitos, talvez a maioria dos que esperavam os efeitos da Lei da Ficha Suja já para as eleições de 2010. O Supremo, todavia, julgou por maioria de apenas um voto (do novel ministro, dr. Luis Fux) que os efeitos desta saneadora lei somente se farão a partir das eleições de 2012. Pelo placar apertado, presume-se que mesmo as maiores autoridades judiciárias no País, divergiam sobre questão tão lapidar. Será que intimamente aqueles que votaram pela aplicação imediata não reconheciam que esta posição feria o dispositivo maior constitucional? Prefiro acreditar, como leigo absoluto, que eles agiram mais em sintonia com o anseio popular, com o coração,mais do que com a razão. Provavelmente, para a consolidação da democracia, do Reinado Supremo das Leis, este resultado seja o melhor para o Brasil. E a dengue volta a apavorar a população, inclusive com o vírus tipo 4, para o qual ninguém tem a mínima resistência; é inevitável se lamentar que em termos de educação e saúde ambientais, infelizmente, só fizemos regredir. Muitas vidas serão sacrificadas pela deseducação do povo e pela negligência das autoridades. Outra frustração imensa foi a morte de Liz Taylor. E não se diga que não é um assunto de grande interesse nacional. Aquela mulher foi tão nossa quanto dos quatro cantos do mundo. Minhas primeiras lembranças vêm de Assim Caminha a Humanidade, de George Stevens; até filmes fracos, como aquele com Richard Burton, mas que tinha como fundo musical a bela The Shadow Of Your Smiles, nos deixou saudades. Vinicius de Moraes dizia: ?O cinema é infinito ? não se mede/Não tem passado nem futuro. Cada imagem só existe interligada/à que a antecedeu e que a sucede?. Liz era bonita, era sensual e ainda conseguia ser excelente atriz. Mas ao contrário do horrores da semana, ela enchia-nos de ilusões e sua imagem ficará para sempre em nossas retinas como símbolo de bons a aprazíveis momentos. (*) É médico.