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Opinião

Na boca do luxo

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Lá estava, nada vestido para o ambiente; nervoso, pelo que dava para perceber; ansioso, pelas mãos que passava nos cabelos. Indo e vindo, não era em sala de espera de um hospital ou maternidade. À beira-mar, próximo aos escombros de um velho clube, mais precisamente em seus subsolos, isentos da maré em baixa-mar, chamava a atenção de quem, a distância, deliciando-se com um acarajé, percebesse seus gestos. Pergunta-se aos que ali trabalham a que se deve aquilo; sente-se nas respostas evasivas o medo do comprometimento. Sei que o gosto pela literatura policial detetivesca não me credencia a escrevê-la, mas o cenário é de dar asas à imaginação de Simenon, Chandler e tantos outros. Tento explicações, as mais diversas, para o que se passa em um dos mais belos cartões-postais de nossa capital e não encontro. Claro que o leitor percebe do que estou falando. Trata-se do velho Alagoinhas, semidestruído e sem nenhuma utilidade para a sociedade, a não ser para o refúgio de marginais e traficantes de drogas. O economista Steven D. Levitt em seu livro Freakonomics ? Elsevier/Campus ? lembra que quando Nova York travou uma guerra contra a criminalidade nos anos noventa do século passado, tendo à frente o prefeito R. Giuliani, o seu secretário de segurança W. Bratton, teve, dentre outras ideias, uma curiosa: colocou em prática a ?teoria da janela quebrada?, concebida pelos criminologistas James Q. Wilson e George Kelling. A teoria defende que problemas pequenos quando não solucionados, tornar-se-ão grandes problemas. E dá um exemplo: se alguém quebra uma janela e vê que a mesma não é logo consertada, a mensagem é que as demais podem ser destruídas e talvez o prédio todo incendiado. Tem-se que cortar o mal pela raiz. Foi a tal ?tolerância zero? de N.Y. Prendia-se por qualquer pequeno delito, evitando-se um maior. Além de não tomarmos atitudes como aquelas, o que vemos é a leniência imperando em detrimento de nossa segurança. Inexplicável não se ter ainda dado um destino para aquela gigantesca feiúra, sem nenhuma serventia, a não ser para o que desconfio acima. Com sua finalidade precípua de clube social totalmente prejudicada, admita-se, seria de bom alvitre que os poderes constituídos para ali olhassem ? até porque fica difícil não ver ? com a responsabilidade que lhes cabe, e dessem uma solução que poderia ser até sua total demolição. Ou, quem sabe, apareça uma mente iluminada e transforme aquele monstrengo em algo que venha integrar-se ao charme e à beleza que o local tanto exige e merece. (*) É bacharel em Economia.

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