Opinião
Armas recicladas
Certas notícias provocam calafrios ao descortinarem hipóteses assustadoras a partir de determinadas ocorrências. Infelizmente, muitos desses sustos terminam sem respostas, aplastados sob o silêncio de quem deveria esclarecer fatos e denúncias levadas até a mídia. Este é o caso da reportagem sobre a apreensão de nove armas de fogo num único endereço localizado na cidade de Arapiraca. Desse arsenal, seis eram pistolas semiautomáticas e três eram revólveres. O local da apreensão estava sob investigação por suspeição de ser ponto de comercialização de drogas. Ponto para a polícia. Mas o preocupante, nesta ocorrência, é a informação repassada pela polícia de que seis das nove armas apreendidas nessa operação eram velhas conhecidas da lei e deveriam estar resguardadas no Fórum de Arapiraca por terem sido apreendidas anteriormente. Inquietante. Se confirmada a informação, está evidenciado um problema de gravidade: está aberto um canal entre instituições judiciais e o crime organizado. Isto é chocante e perigoso. Em função dessa denúncia torna-se necessário o estabelecimento de uma investigação minuciosa sobre o tráfico de armas entre órgãos do Judiciário e bandidos. Esta é uma ação que precisa ser feita com prioridade e o máximo de transparência, pois é absurdo imaginar o armamento capturado ao crime a ele ser devolvido graciosamente, como se zombassem da Lei e dos poderes constituídos. Esta denúncia da polícia de Arapiraca deve ser considerada como extremamente grave. Apurar o que houve, esclarecer a opinião pública e, no caso de confirmação deste fluxo criminoso, punir os responsáveis e desmantelar o esquema de reciclagem de instrumentos da morte. Num momento onde Alagoas está sendo flagelada por uma dantesca realidade de insegurança pública, denúncias como essa não podem cair no esquecimento.