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Opinião

A pedra assassina

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?Há casos em que se mata até por R$ 1? informa e alerta experiente delegado alagoano, em reportagem sobre o avanço do crack no interior alagoano. O valor irrisório ilustra bem quanto vale uma vida no mercado da droga. E, desgraçadamente, como as autoridades policiais explicam, essa verdadeira maldição tem se espalhado com muita velocidade graças ao baixo custo da mais nociva das drogas, a ?noia?, confeccionada a partir do refugo de uma substância entorpecente bem mais cara, a cocaína. Os malefícios do crack alcançam o corte da cana, base ancestral de emprego da força de trabalho mais popular e menos qualificada em Alagoas. Atentas ao perigo usinas alagoanas já buscam implementar programas defensivos e de recuperação. Mas o perigo é maior e mais difícil de enfrentar que vícios anteriormente conhecidos, como o alcoolismo. Dois fatores tornam o crack mais devastador e mortal que o até então mais elementar dos vícios demolidores que castigam as camadas sociais menos favorecidas, o alcoolismo. Que ninguém se engane com as consequências fatais do alcoolismo, mas o crack avança muito mais na letalidade por dois motivos: a rapidez na consolidação do vício e à violência dos traficantes. A teoria e a prática não divergem, sendo assustadora a rapidez com que o crack escraviza uma pessoa (de apenas uma a até quatro vezes de consumo de uma ?pedra?, a vítima já se torna dependente). Ao mesmo tempo, a lei do cão do submundo banalizou a pena de morte como punição básica para dívidas e demais infrações nesse universo tenebroso, pois o viciado é considerado (em função da letalidade do vício) é tido como algo facilmente descartável. Esse flagelo se expande assustadoramente em Alagoas. Contê-lo, talvez por custar mais de R$ 1 por vida, é uma prioridade ainda menosprezada em nosso Estado.

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