Opinião
Not�cias de Portugal
Foi complicado conseguir um lugar para passar o carnaval fora do Brasil! Finalmente o consegui viajando em quatro companhias de aviação diferentes! Assim mesmo na segunda feira, quando já não havia tantos passageiros, com os dias de Momo chegando ao fim. Para mim não houve problema, não tenho compromissos que me prendam a dias feriados. Só não gosto de passar o carnaval aqui, pois minha avenida se torna mais barulhenta ainda, com os foliões transitando com alto-falantes no volume mais intenso possível. Pagamos o maior IPTU da cidade, mas somos sempre vítimas desse abuso. Mesmo em tempos comuns não há o menor respeito aos ouvidos ou ao desconforto que isso causa aos moradores do pedaço. Se nossa prefeitura fosse mais avisada, haveria uma repressão a esse comportamento do público em questão.. Mas, o cidadão, no Brasil, só tem um direito: pagar impostos exorbitantes! Fui pela Trip, até Belo Horizonte, onde tomei um avião da Tap, viação portuguesa, rumo a Lisboa. Cheguei ao Hotel Mundial, que fica localizado no centro da cidade, às 14:00 h. Acomodei-me no ótimo quarto que me foi reservado pela Internet, e ganhei as ruas, para não perder tempo. Lisboa me recebeu com uma tarde ensolarada e fria, que realçava a beleza de seus monumentos e dos seus velhos e acidentados bairros. Os prédios de sacadas de ferro batido e azulejos azuis brilhavam sob a luz do grande astro e nos atraía ao seu encontro! Como resistir a tudo isso! Rossio, Rua da Prata, Rua Augusta, Rua Áurea! Rapidamente visitei todas elas com a minha amiga, a cadeira automática. Só para a primeira olhada nas lojas que se apresentavam irresistíveis! Com os problemas econômicos do país, as mercadorias estavam todas em liquidação! A noite logo chegou e eu voltei ao hotel. Aprontei-me para tomar um banho quentinho e cair na cama. No dia seguinte continuaria minha exploração de Lisboa. Mas, nem tudo corre como desejamos, há sempre o imponderável! Abaixei-me, com dificuldade, para colocar uns papéis na lixeira que se encontrava embaixo da larga pia e... perdi o equilíbrio caindo no chão e batendo com a testa, fortemente, contra a parede. A pancada foi muito grande e eu não consegui me levantar. Fui, me arrastando, até o telefone para pedir socorro. Logo a telefonista chegou com dois rapazes para me levantar. Levaram-me, de ambulância, para a enfermaria do Hospital São José, onde fui examinada, radiografada, tomografada e tratada com todo carinho. Passei dois dias e três noites no nosocômio. Fiquei com o rosto coberto de hematomas, mas felizmente, estava viva, sem piores sequelas. Lembrava-me, com muita pena, do meu gostoso quarto no hotel, com vista para a Alfama e para o Castelo de São Jorge. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.