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Opinião

Homenagem e reconhecimento

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Quando recordo Moacir Scliar, médico e escritor consagrado, me vem à mente o poema de Olegário Mariano: ?Sou um eterno apaixonado pela vida?. Assim expressa: ?Amo a vida por tudo quanto ela me pode dar/ Pela minha família e queridos amigos/ Pelas crianças que há muito anos me envolvem em seus braços/ E ainda hoje continuam a me abraçar./ Eu sou um enamorado da vida!/ Vida! Quero viver todas as tuas horas. Se escritor símbolo da literatura (mais de 70 livros publicados e traduzidos para mais de 40 idiomas), se médico sanitarista, humanista e profundamente dedicado ao próximo, se professor emérito da medicina ? Scliar era muito mais, um homem simples, que amava a vida, e que fazia das palavras um forte elo para estabelecer laços de comunicação com os leitores. Conheci Scliar em São Paulo, durante uma palestra que proferiu numa Bienal Internacional do Livro. Eu participava da delegação da Fundação Municipal de Ação Cultural, na época presidida pelo médico e intelectual Antônio Arnaldo Camelo. Na programação do evento constava várias palestras proferidas por escritores. Scliar foi o primeiro de minha escolha. Eu havia concluído a leitura de ?A mulher que escreveu a Bíblia?, de sua autoria, um livro polêmico, e estava ainda sob o influxo de sua fértil imaginação. Guardei de memória expressões repetidas por ele: ?Nossa visão se alarga, porque mesmo diminutos, estamos sobre os ombros de gigantes que nos antecederam?. E com simplicidade: ?Gosto muito de conversar com os leitores; às vezes interpretam minhas obras de um jeito que me surpreende?. Reencontrei-o numa Bienal do Rio de Janeiro e, há dois anos, em Maceió. Por ser sócio honorário da Sobrames Nacional, várias janelas de comunicação foram abertas entre nós. Quando da publicação da obra A paixão transformada ? História da Medicina, enviou-me exemplar com generosa dedicatória. Em 2003, chegou à Academia Brasileira de Letras, 40 vagas de ?imortais? para milhares de escritores brasileiros. Subiu os degraus da Academia precedido por uma campanha que mobilizou toda a imprensa e a população do Rio Grande do Sul. Uma eleição inédita, feita pelo público. Postos de coleta nas ruas recolhiam os votos que pediam: ?Scliar na Academia Brasileira de Letras?. Dois anos depois foi eleito para essa secular instituição. Até que ponto essa campanha sensibilizou a Academia, não sei. As academias têm razões que nem os corações conhecem e interpretam. Ah! Scliar! Perda sentida. Consolo-me com Guimarães Rosa: ?As pessoas não morrem, ficam encantadas?. (*) É médico e ex-secretário de Educação e Saúde.

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