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Investimento da pesada

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Depois que Alagoas despontou no cenário como o campeão de homicídios, a questão segurança pública vem sendo bastante discutida entre os representantes dos poderes legislativo e executivo, onde basicamente buscam-se culpados pelo título indesejado. Deputados oposicionistas acusam o atual governo de inércia, que por sua vez defende-se argumentando que recebera a herança maldita de governos anteriores, reconhecendo a gravidade do quadro antes não admitida. Depois de admitir que a tragédia alagoana corresponde à queda de um avião Boeing a cada mês, o governador Teotonio Vilela informou o esforço de seu governo que investiu 15 toneladas em equipamentos na segurança pública. Confesso que fora a primeira vez que ouvi a unidade de medida ser citada como investimento. Como bem afirmara o governador, as quinze toneladas estão distribuídas entre viaturas, armamentos, munições, coletes balísticos e outros equipamentos de muito peso. Reconhecendo a importância do investimento de peso, recomendaria o esforço governamental para iniciativas mais leves e de muita importância para a redução de homicídios, principalmente no emprego de técnicas modernas de investigação. A maioria dos crimes de homicídio é praticada com o uso de armas de fogo, que tem sua identidade balística única, assemelhada ao que acontece com a impressão digital e o DNA, suscitando a necessidade de investimentos na aquisição de equipamentos para análise balística dos materiais encontrados no local de crime ? projéteis nos corpos das vítimas e estojos de cartuchos. Os resultados desses exames poderiam formatar banco de dados com os padrões balísticos cientificamente analisados, que seriam confrontados com os exames de todas as armas de fogo semelhantes apreendidas. O confronto desses dados poderia identificar a atuação de grupos criminosos em determinada área geográfica, facilitando as investigações e possibilitando a oferta de provas técnicas essenciais para a formação de juízo dos julgadores. As armas de fogo adquiridas pelo Estado só poderiam ser usadas pelos policiais nas ruas, após o devido registro de seus padrões balísticos no mesmo banco de dados das armas e projéteis apreendidos. Com isso, a participação de policiais em crimes poderia ser facilmente comprovada ou não, evitando o desconforto da eterna suspeição. O mesmo tratamento poderia ser aplicado às armas de fogo comercializadas nas lojas do ramo, só registradas após a documentação de seus padrões balísticos. O custo da implantação dessas medidas é bem mais leve que as 15 toneladas, mas um investimento da pesada contra o crime. (*) É delegado de Polícia Civil.

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