Opinião
Greve e seguran�a
Não se discutem as razões pelas quais os integrantes da Polícia Civil estão a reivindicar. Salários adequados e melhores condições de trabalho são bandeiras justas, meritórias. A forma do protesto, porém, merece mais reflexões por parte da categoria. Em todo o serviço público, a greve é um problema mais complexo que indêntica paralisação de trabalho no segmento privado. Aqui, a empresa é penalizada pelos braços cruzados, ali apenas o público é prejudicado. Naturalmente os gestores públicos desgastam-se com qualquer greve, mas a bem da verdade, como a realidade dos serviços já não é lá essas coisas todas, o prejuízo da administração é apequenado, diluído pelo descontentamento geral da população. O povo é quem paga o pato, sofrendo integralmente os danos adicionais de quaisquer paralisações nos serviços públicos. Para quem já sofre de uma insegurança cotidiana, uma greve na polícia é uma dor de cabeça a mais, pois como os bandidos já gozam de ampla liberdade de ação, a interrupção dos serviços policiais significa maior dificuldade em obter boletins de ocorrências, mais filas a enfrentar, menos esperanças em ser acudido frente ao inclemente assédio do crime. Alagoas, ostentando os piores índices de violência em todo Brasil, não se moverá no fundo do poço da insegurança pública por conta de três dias, ou mais, de greve. Lamentavelmente, confirmado o movimento paredista, a população alagoana sofrerá, ao longo dos dias do protesto, ainda mais do que sofre todos os dias. E o pior é que este sofrimento adicional não tem perspectivas de auxiliar, pelo menos num curto prazo, com alguma redução significativa dos sofrimentos alagoanos no tocante a segurança pública, pois a crise nesse segmento estratégico é muito maior e mais profunda que a defasagem salarial que mobiliza a base policial.