Opinião
Nossa visita � Europa continua
As enfermeiras do hospital, no qual fiquei em Lisboa, tratavam os doentes com todo o carinho e eficiência. O movimento de pacientes era contínuo: entravam, eram examinados, alguns iam para os quartos, outros voltavam, outros se iam. No meu retiro involuntário hospitalar, apliquei o que a vida me ensinou: temos sempre que colher o melhor que se nos apresenta na hora do aperto. Assim, procurei me divertir com a pronúncia, para nós brasileiros, muito engraçada, das enfermeiras e com os termos usados por elas para designar certas partes do corpo e uso de algumas medidas clínicas. Havia alguns vocábulos da fala corrente, que eu não conseguia traduzir. Nem parecia a nossa língua mãe! Finalmente depois da terceira noite, com os resultados dos exames favoráveis, voltei de táxi, ansiosa, a minha hospedaria. Só me restava um dia e meio na cidade e como os aproveitei! Fiz compras e revi, de táxi, todos os lugares turísticos de Lisboa. Fui a Belém, de onde partiram os descobridores; ao Mosteiro dos Jerônimos com sua bela arquitetura estilo manuelino; à Ponte Vasco da Gama que une, com elegância, as margens do Rio Tejo; à Alfama com seus sobradões avarandados onde os portugueses têm, por hábito, estender varais com roupas para secar; ao velho e histórico Castelo de São Jorge que coroa a colina; ao Bairro Alto com seus bares alegres; à imponente Praça Marquês de Pombal; ao Parque do Retiro que nos convida a um agradável passeio; à Avenida da Liberdade, ampla e movimentada, ostentando hotéis de luxo e lojas de famosos costureiros; ao Arco do Almirantado, que, também, lembra os descobrimentos. Ainda tive tempo de saborear, na Cervejaria ?Concha D?Ouro? que fica na Rua Augusta, um daqueles enormes caranguejos das águas geladas. Sublimes! À noite não poderíamos deixar de ir a uma Casa de Fados. O hotel nos recomendou o ?Café Luso? e gostamos imensamente. Ótimos cantores e músicos que nos fizeram reviver os tempos da maior fadista de Portugal: Amália Rodrigues. No dia seguinte, à tarde, seguimos pela Air France para Paris. Sentimos ter perdido tanto tempo no Hospital, mas, o que fazer? Como diz o ditado: ?O homem põe e Deus dispõe!?. A comida servida pela Air France, era deliciosa, delicadamente temperada. O filé, tão macio! Acompanhando-o um daqueles divinos molhos responsáveis pelo paladar exclusivo da cozinha francesa. Eu que andava com uma desagradável inapetência, provocada pelos medicamentos que ando tomando, vi com prazer, ressurgir minha fome. Pena que servissem tão pouco! Paris! A bela Cidade Luz! Podia vê-la, quase completa do avião! Que prazer sentia em reencontrá-la: faceira, inteligente,? remplit de soi-même! ? (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.