Opinião
Energia nuclear � da nossa conta?
Um dos fundadores do Greenpeace, o canadense Patrick Moore, ao ser indagado em dezembro passado, pelo repórter Roberto Machado, da revista Veja, acerca da hipótese de morar perto de uma usina nuclear, respondeu assim: ?Eu ficaria feliz vivendo dentro de uma usina, por que sei, pelas estatísticas, que está entre os lugares mais seguros do mundo?. Talvez Moore até sustente hoje sua posição, mesmo após a catástrofe de Fukushima. Deverá alegar o fato de que se trata de uma das tecnologias mais limpas para produção de eletricidade. Mesmo entendendo que a tragédia japonesa ocorreu após ação da natureza, já se sabe, entretanto, das falhas de gerenciamento dos dispositivos de segurança das usinas de Fukushima. E olha que se trata do Japão, cujo povo é conhecido pela disciplina e capacidade de reação diante de adversidades. Do Oriente para o Brasil, o debate em torno da expansão dessa matriz energética já inclui Alagoas no roteiro. Aliás, autoridades locais até festejaram a possibilidade de nosso Estado ser ?contemplado? com investimentos dessa natureza. Os festejos ocorreram antes do tsunami, é claro. Se o governo brasileiro precisa agir com transparência e definir as alternativas de produção de energia, com vista à sustentação do crescimento, Alagoas então necessita escolher o rumo do seu desenvolvimento. A energia nuclear pode até vir a ocupar mais espaço na política energética do País. A temeridade é admitir a implantação de usina nuclear, às margens do rio São Francisco, ou de qualquer outro manancial alagoano, como instrumento eficaz para o nosso desenvolvimento. Para a comunidade técnica, a fórmula da geração energética se caracteriza pelo uso de tecnologias diversas, algumas das quais de custo menor do que a fissão nuclear. As alternativas hidrelétricas, solar e eólica, além da biomassa da cana de açúcar, podem garantir nossa autosuficência, conforme as vocações, a ambiência e as potencialidades de cada região. Em relação às usinas nucleares, é indiscutível o alto custo de construção e, sobretudo, o imenso dispêndio de manutenção, agora, mais do que nunca, posto em xeque pela comunidade internacional. Quanto a Alagoas, nossas autoridades precisam focar especialmente seus esforços na indústria do turismo, que distribui renda, multiplica postos de trabalho e cria oportunidades como nenhum outro setor econômico. A consciência daqueles que, de caneta na mão, decidem sobre nossos destinos não pode ser contaminada por projetos megalomaníacos e aventureiros. (*) É jornalista.