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Palavras do rei

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Os discursos dos soberanos fixam sua imagem perante a história de cada povo. Seus pronunciamentos revelam os impulsos de sua alma ideológica. A população cultiva a palavra de seus líderes, transforma a admiração em paixão política e com o entusiasmo consagra o destino de seus mitos. O povo necessita de esperanças e conforto para suas inquietações. A agitação das escolhas representa um processo de aprendizado e de crença diante das questões que desafiam a realidade nacional. É preciso acreditar em um futuro que promova a redenção de todos os anseios e faça triunfar os princípios da igualdade e da liberdade. Na antiguidade, Péricles aliou conquistas guerreiras com inigualáveis dotes oratórios. Dominou o povo grego durante quase quarenta anos, empolgou os atenienses e construiu uma obra política de dimensões extraordinárias. Detentor de uma prodigiosa eloquência, nunca a glória de uma nação esteve tão vinculada ao prestígio de uma palavra. A história contemporânea fala do gênio oratório de Hitler. O alucinado ditador da Alemanha tinha uma fenomenal e estranha eloquência. A capacidade de inebriar as massas, apesar de suas atrocidades, fazia explorar os sentimentos do povo germânico, conduzindo-o a caminhos delirantes, tortuosos e de ambições destruidoras. A pátria brasileira acalentou as vozes memoráveis de Rui Barbosa, Afonso Arinos, Carlos Lacerda e de outras figuras da nossa relativamente curta trajetória republicana. Os historiadores não celebram a grandiosidade da palavra de nossos estadistas. Destacam apenas a voz candente e democraticamente fervorosa do presidente Juscelino Kubitschek. Existe a lembrança das palavras de Getúlio Vargas, a falar aos ?trabalhadores do Brasil?. A preocupação com as conquistas sociais dos trabalhadores ficou como uma marca de sua presença no poder, apesar dos meandros da polêmica era Vargas. E, a maneira trágica de sua despedida política para o silêncio da eternidade. O País vive agora o discurso do presidente norte-americano Barack Obama, a projetar o mérito da democracia e de seus leais defensores, como uma vitória da inteligência e das oportunidades humanas. Ao lado, das solenes contingências do poderio econômico que domina o mundo. As palavras dos reis continuam a fazer história. O testemunho de sua realeza não prescinde da humildade e do apoio da alma popular. Valores consagrados que condenam o poder da força e buscam o eterno sonho da paz. (*) É advogado.

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