Opinião
Casamento � fantasia
No dia 12 de Março, o casamento religioso à fantasia na cidade gaúcha de Garibaldi, RS, mostra bem o jeito fantasioso que muitos assumem suas responsabilidades e a maneira alucinada de viver a vida. Vestidos de Fiona e Shrek, o noivo Marcelo e a noiva Denise, demonstraram diante do altar a expressa síndrome humana ?do fazer de conta? ? que virou epidemia. Os padrinhos com roupas de príncipes e princesas, os pais dos noivos de reis e rainhas, as crianças com alegorias de Dragão, Burrinho, Branca de Neve, os convidados caracterizados dos contos infantis ? uma cena surreal que diz tudo sobre esta sociedade de castelos de areia. Sobre a história dessa famosa animação, pode-se dizer o seguinte: é preciso imitar o ogro Shrek, e expulsar muitas criaturas mágicas que invadem o ?pântano? e atormentam a paz de muitos. Cada um tem os seus, mas alguns parecem ser comuns. A vida transformada numa aventura de desenho animado pode ser um ameaça ? de identidade. De ficar adulto, mas ainda ?brincar? de casinha, de carrinho, de vídeo game, de ganhar e perder. De fazer de conta que se casou, que tem uma família, que se trabalha, que se é feliz. No imaginário de ser bem-sucedido, vestir a alegoria de soberanos, alucinados na miragem de reinos e castelos. De gastar mais do que tem, de aparentar muito mais do que pode. Sem dúvidas, há um desafio parecido com o do Shrek, de espantar as ilusões e viver a realidade. Viver a realidade? Vale à pena? Ela é tão dura, exigente, cruel. Por que não levar a vida na brincadeira? Fugir de tanta coisa que consome? Seria o caminho, se o dragão fosse apenas fábula. Ele existe e expele violentamente sobre nós suas labaredas. Podemos até aprisioná-lo atrás de máscaras e alegorias, mas um dia ele surge em inevitáveis tragédias, disfarçado, bonito, sedutor ? assim como na fábula. Por isto a advertência: ?Viva alegre durante todos os anos da sua vida. Mas, mesmo que você viva muitos anos, lembre que ficará morto durante muito mais tempo. Tudo o que acontece é ilusão? (Eclesiastes 11.8). Seria tudo ilusão se não fosse ?a realidade de Cristo? (Colossenses 2.17). Que para alguns é também pura fantasia. Mas, uma certeza para aqueles que são alvos de seu amor, daquela (a igreja) a quem é chamada de noiva ?de Deus, enfeitada e preparada, vestida que vai ser encontrar com o noivo?, para viver no reino celestial onde ?não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor? (Apocalipse 21.1-4). Este sim será um casamento duradouro! Onde a Noiva, viverá com o noivo.. (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana de Maceió.