Opinião
Hora de virar o jogo
Merece aplausos mais uma ação conjugada das polícias estadual e federal: 30 quilos de pasta-base de cocaína foram apreendidos e seus condutores presos em Maceió. Em verdade, o maior prejuízo dado aos traficantes é a apreensão e posterior destruição da droga. A prisão dos traficantes, infelizmente (devido às generosidades da legislação e a ineficiência do sistema prisional), pode ser transformada, em curto prazo, num dano menor, mesmo irrelevante a uma cada vez mais fortalecida e diversificada rede criminosa. Conforme dados fornecidos pela polícia, o material apreendido poderia ter se transformado em uma bolada de R$ 2,4 milhões por meio da transformação dos 30 quilos de pasta-base de cocaína nas famigeradas pedras de crack, ou noia, como é mais conhecida esta substância em Alagoas. O sucesso da operação comprova, mais uma vez, a imperiosa necessidade de investimentos ainda maiores nos serviços de inteligência das forças policiais em todos os níveis (federais, estaduais e até municipais) e apostar cada vez mais nas operações conjuntas, onde as potencialidades de cada força são tensionadas e multiplicadas pela parceria. O tráfico, especialmente depois do aparecimento do crack, precisa ser combatido sem tréguas. A legislação sobre esse crime precisa ser ainda mais endurecida e os trâmites desburocratizados, mas a intensificação do combate aos traficantes não pode esperar que tais mudanças sejam realizadas. A guerra contra essa modalidade de crime organizado precisa ser ainda mais turbinada, mais robustecida, direcionada contra todas as partes constitutivas dessa rede criminosa. Fabricação, transporte, armazenamento, venda, contato com os consumidores... todos esses segmentos precisam ser mapeados com precisão e atacados sem descanso. Com tais atitudes, certamente, começaremos a virar o jogo.