Opinião
Sim ou n�o � a quest�o?
Volta à baila um tema para plebiscito: proibição da comercialização de armas. Um dos políticos mais experientes do Brasil, o senador José Sarney, na condição de presidente do Congresso Nacional apresentou a ideia que, numa leitura rápida, parece repetitiva e inócua. Já não votamos nisso? ? perguntarão os mais apressados. Sim, já votamos. E para quem não se lembra, o resultado do plebiscito realizado em 2005 cravou a vitória do ?sim? à comercialização de armas por uma maioria expressiva: 59 milhões de votos contra 33 milhões. Ou seja, 64% dos votantes digitaram a favor da venda de armamento e munições contra 36% que clicaram contra. Como resultado prático, a venda de armas e munição deu um salto de 81% nos cinco anos seguintes ao plebiscito, alcançando 635 mil armas de fogo vendidas entre 2005 e 2010. Munição? O suficiente para abastecer a demanda gerada pelo item anterior. Resultado que evidencia uma contradição trágica entre o decidido em 2003, quando da aprovação da Lei do Desarmamento, e o plebiscito de2005. Como desarmar uma sociedade onde é legal o comércio de armas e munição? Para além das polêmicas consubstanciadas sobre estes temas (desarmamento e plebiscito), a realidade brasileira, para mais adiante ainda dos embates teóricos e filosóficos impõe um duro desafio: o comércio clandestino de armamentos e munições, mercado fortíssimo, mortalmente pujante e com séculos de experiência. É este mercado, ilegal, que provê as mãos assassinas. O exemplo mais evidente é exatamente o caso mais discutido nos últimos dias - o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro. O tresloucado matador comprou revólveres, balas e demais equipagens, premeditando o assassínio em massa, nesse mercado escuso. Se o poder público seguir incapaz de alvejar o comércio ilícito, de que adianta atirar somente no lícito?