Opinião
As mentes perigosas
A Reforma Política ora em gestação em Brasília prevê a extinção da reeleição para o Executivo. No Patropi isso não deu certo: quem estava no poder sempre usou a máquina em benefício próprio. Reeleição é coisa para democracias mais maduras, como a norte-americana. Já a proposta de financiamento público das campanhas, embora possa quebrar as arrumações espúrias entre empresariado ganancioso e candidato oportunista, que se beneficiarão a posteriori dos acordos pré-eleitorais, ainda precisa ser analisada com muito mais profundidade. É preciso ficar muito atento também à questão dos aeroportos das sedes da Copa que dificilmente ficarão prontos no tempo certo. O que pode vir por aí? Obras liberadas no sufoco? Sem licitações? Estouro estratosférico dos gastos? Como se fosse um outro país, onde as coisas andassem certinhas,distante geográfica e administrativamente,alardeia-se que o trem-bala vai sair para ajudar no transporte dos participantes da Copa. Caberia apenas uma pergunta, caro companheiro: quem seriam as mentes que estariam por trás destes processos?Na esteira da tragédia de Realengo, no Rio, veio a tona a obra Mentes Perigosas da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, pós-graduada em psiquiatria da UERJ, que embora voltada para o comportamento infantil (é de extrema utilidade para alertar pais e parentes sobre comportamento patológico dos pimpolhos no sentido de procurar tratamento precoce),que pode sim ser extrapolada para outras situações. Ela aloca 19 indícios que poderiam alertar sobre distúrbios psicóticos, entre eles: o uso frequente de mentiras,crueldade com animais, coleguinhas e irmãos;impulsidade e irresponsabilidade;baixíssima tolerância à frustração, com acessos de irritabilidade e fúria quando são contrariados; tendência a culpar os outros por erros cometidos por si mesmos;preocupação excessiva com seus próprios interesses;insensibilidade ou frieza pessoal;ausência de culpa ou remorso;falta de constrangimento ou vergonha quando pegos mentindo ou em flagrante; dificuldade para manter amizades; permanência fora de casa até tarde da noite, mesmo com proibição dos pais; faltas constantes sem justificativas na escola ou no trabalho(quando mais velhos);violação às regras sociais que se constituem em atos de vandalismo; participação em fraudes, roubos ou assaltos;sexualidade exacerbada, muitas vezes levando outras crianças ao sexo forçado. Caberia apenas outra pergunta caro companheiro: pelo menos algumas destas patológicas condições nós não encontraríamos nestes ilustres cidadãos que regem nossas vidas e nossos destinos?. (*) É médico.