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Sacrif�cio anunciado

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Às vésperas da Semana Santa, o fantasma do martírio de inocentes volta pairar sobre a sociedade alagoana. Emblematicamente esta é a situação assomada com o anúncio da greve, por tempo indeterminado, da polícia civil. Evidente que os policiais civis têm suas razões, várias inquestionáveis, expressas em sua pauta de reivindicações. O preocupante é o uso da greve por tempo indeterminado como forma de luta. Numa sociedade flagelada pela violência e pelo crescimento do crime organizado a paralisação da Polícia Civil é uma temeridade tão indiscutível quanto as motivações da categoria em sua mobilização. Salários defasados, escalas de serviço extenuantes (com plantões de 24 horas), precariedade nas condições de trabalho (coletes vencidos e demais problemas materiais) são algumas das revindicações corretamente expostas pelos policiais por meio de suas entidades representativas. O grande problema, porém, é o uso da população como refém do conflito salarial entre os sindicatos e o governo. Conflito inevitável, posto o governo já ter explicitado sua proposta de aumento linear de 5,91% de reajuste (percentual dividido em duas parcelas), enquanto os sindicatos terem respondido, incontinenti, não aceitar tal índice. O sindicato dos policiais civis é apenas o primeiro que decide pelo confronto. É previsível que o mesmo caminho seja trilhado por outras categorias. Desta forma, este suplício anunciado sobre o povo poderá ser sequenciado por outros açoites, pois a data arcada para o início da greve dos policiais civis coincide com o dia da assembleia na qual os policiais militares discutirão e deliberarão sobre o mesmo mote: o desacordo para com a proposta de reajuste salarial. No passado imolavam-se seres vivos às divindades em busca do atendimento dos desejos humanos. Voltamos no tempo?

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