Opinião
Pa�s dos contrastes
O engenheiro José Arnaldo Lisboa Martins, em um de seus lúcidos e atualizadíssimos comentários, enfoca questões acerca do trânsito (pois é especialista), abordando vários aspectos interessantes. Inicia tratando daquela inócua exigência do Conselho Nacional de Trânsito, para que todos os veículos usassem um kit, isto é, um estojo pequeno com medicamentos para primeiros socorros. O brasileiro que é de índole pacífica, tolerante e acomodativo, aceitou sem protestos a absurda ideia, até que um outro conselho, o de Medicina, dotado realmente de responsabilidade e , ao invés de estimular o interesse comercial, preservou a vida humana, como é seu precípuo dever, alertando para a questão de que, não sendo médico, não seria aconselhável alguém prestar socorros em tais situações de emergência. Refere-se, também, à obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e do extintor de incêndio, apontando, com estatísticas ainda não desmentidas com precisão e sem aquelas justificativas oficiais não muito confiáveis, a desnecessidade desses acessórios, porquanto é bastante reduzido o número de motoristas que sabem utilizá-lo. Merece, pois, atenção das autoridades responsáveis pelo Setor, o comentário aqui abordado. Entendo mesmo que um debate amplo e de caráter nacional, com a participação de Técnicos e Especialistas na matéria (incluindo o articulista acima mencionado), seria de grande utilidade, exatamente para evitar que pessoas ou grupos interessados apenas em lucros, como acentuado no aludido comentário, continuem explorando a boa-fé. A tolerância e a passividade dos brasileiros. Agora, o Conselho Nacional de Trânsito (sempre ele), vai exigir que todas as placas de carros sejam substituídas pelo tipo refletivo, que custarão R$ 120,00, enquanto as atuais, inegávelmente visíveis, terão o lixo como destino. Dessa forma, os proprietários de fábricas de placas, irão faturar bem mais, como o disse o dr. José Arnaldo, considerando que a frota de veículos neste País ultrapassa a cifra de 65 milhões. Explica, ainda que haveria um gasto de quase 8 bilhões de reais. Com a agravante de que a luz dos faróis sobre tais placas refletivas, afetarão as nossas visões, resultando em ofuscamento. Assim, estaria dificultada a leitura dos caracteres das Placas, com segurança. Decerto, surgirão vozes contrárias. Na hipótese, portanto, em se mantendo essa absurda exigência, é bom que o Ministério Público e a Justiça, desde logo, se preparem para responsabilizar os ?gênios? criadores de uma inovação sem prova cabal de sua eficácia, cobrando os prejuízos dos usuários. Na sequência dos contrastes, tem-se notícia da criação da Secretaria Nacional de Aviação Civil, com status de Ministério, quando já existe um órgão, a Anac, agência reguladora que, como as demais, nada regulam. Exemplo gritante é a ineficiência dos nossos aeroportos e da Infraero. Alardeada como uma conquista excepcional pelo ex-presidente Lula, o ?doutor? de Coimbra, (que entende ser o Real Madrid o maior time do mundo, embora Corintiano), a Copa do Mundo de 2.014 está na iminência ou na quase certeza de ser prejudicada, justamente porque (nove) 9 importantes Aeroportos do Brasil , não ficarão prontos até o dia desse evento. (*) É membro da Associação de Imprensa.