Opinião
Passagem desejada
Uma das datas mais emblemáticas do calendário cristão, o Domingo de Páscoa é comemorado oficialmente desde o ano de 325, quando celebração foi consolidada pelo Concílio de Niceia. A data marca a coroação das comemorações pascais cristãs, registrando a Ressurreição de Cristo e guardam semelhança com o calendário judaico e sua celebração pela Pessach, quando os hebreus festejam a libertação e fuga de seu povo da escravidão em terras egípcias. Em ambas as celebrações, judeus e cristãos comemoram o sentido da passagem, renovando seus votos na conquista de um novo tempo, confirmando esperanças e as melhores alvíssaras. Muitas interpretações, todas generosas e altruísticas, podem ser extraídas dos significados desta data. Para os cristãos, depois de compungidos pela lembrança dos profundos sofrimentos da Sexta-feira da Paixão, o Domingo de Páscoa representa a paz, a vitória da vida sobre a morte, o triunfo da fé sobre a descrença. E para os mortais, especialmente, este dia indica a passagem de um patamar inferior para um nível superior. Para Alagoas, os dias seguintes a este domingo pascoal anunciam-se como nebulosos, como se combinassem com as nuvens carregadas que teimaram em marcar o tempo chuvoso deste período. A disposição de sindicatos representativos de categorias essenciais, como a polícia civil, apontam para a greve como passo imediato na luta por suas reivindicações. A Polícia Militar, igualmente, dá sinais de protestos semelhantes, assim como educação, saúde... Em resumo, não parece haver passagem (no sentido bíblico) para o amanhã. Os sofrimentos da população, produto direto das mútuas intransigências entre governo e sindicatos, dão sinais de que se agravarão ainda mais, com prejuízos irreparáveis como os amargados noutras paralisações. Resta orar para que os martírios não se estendam conforme o previsto.