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Opinião

Entre a saudade e a coragem

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Há uns versos de uma composição do grupo O Teatro Mágico, intitulada O anjo mais velho que diz assim: ?Metade de mim, agora é assim: de um lado a poesia, o verbo, a saudade. Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim?. Estes versos revelam a luta travada no coração humano: vivemos entre o lúdico e o real, entre a saudade e as lutas diárias, clamando em nós a coragem para viver. A saudade é aquela inquietante sensação de que deixamos algo para atrás, de que, à medida que os anos passam depressa, também nós assim passamos. Esse estranho sentimento também se manifesta em relação ao futuro. Desejamos ou até mesmo esperamos alguém que compartilhe conosco a deliciosa experiência de estar neste mundo. Nostalgia do passado ou espera pelo futuro, a saudade enche a nossa vida de poesia. Quanto sentimos a fugacidade dos dias, percebemos a nossa própria finitude. Por isso, tudo tem um sentido único, convidando-nos à contemplação, à reverência. Músicas, lugares, pessoas, tudo isso fala-nos quando visto sob a ótica saudosa do tempo que se esvai como a areia entre os nossos dedos. Por outro lado, a vida é real e, às vezes, dura por demais. Exige de nós força e coragem, não nos permite tempo para a saudade. Se não tivermos o cuidado necessário, as labutas diárias arrancam-nos a dimensão lúdica. Ou seja: a realidade pode nos embrutecer, e, consequentemente, desumanizar-nos, pois é próprio do homem sonhar e esperar. O que fazer, já que vivemos entre a saudade humanizante e a coragem tão necessária à sobrevivência? Recuperemos a saudade presente em cada um de nós. Trazemos no coração o inquietante desejo da eternidade, que nos faz ter saudade do que é bom, belo e verdadeiro. Aproveitemos a beleza devolvida aos nossos dias pelas nostalgia dos anos que passam, das pessoas que entram e saem das nossas vidas, para impulsionar-nos, encorajando-nos a lutar a cada dia por uma realidade menos cáustica. A força e coragem para chegar ao fim, dependem da saudade presente em nós, mesmo adormecida. No final da supracitada música, há outros versos afirmando: ?E o fim é belo incerto... depende de como você vê o novo, o credo, a fé que você deposita em você e só?. O fim de cada um de nós é incerto, pois quem está seguro acerca do futuro? Mas mesmo assim é belo, se corrermos o risco de viver, lendo todos os eventos sobre a ótica da saudade, cravada em nosso coração pelo próprio Deus. (*) É diácono ([email protected]).

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