Opinião
Impunidade na rua
Com ou sem greve das polícias, desgraçadamente, prossegue sem obstáculos a onda de assassinatos contra moradores de rua. Aos 32 anos, Tiago da Silva, residente em pontos variados nas ruas entre os bairro do Poço e Jaraguá, foi morto com um golpe de pedra na cabeça. No momento do crime dormia numa esquina em seu ?perímetro de residência?. Segundo declarações oficiais da Polícia Militar ?nenhum morador de rua foi assassinado em Maceió?. Espantosa desinformação que acrescenta mais insegurança à opinião pública. Desde o ano passado, quando o inusual número de assassinatos foi registrado sobre os moradores de rua, uma série de declarações evasivas parece marcar uma orientação lamentável: buscar subterfúgios para não reconhecer a terrível situação de uma onda inexplicável e inaceitável de mortes contra os desvalidos. Graças ao acompanhamento preciso da mídia, esses eventos sangrentos têm sido registrados óbito a óbito. Tiago da Silva foi a 11ª vítima neste ano, o que confere, ao fim do quarto mês de 2011, uma média preocupantemente superior à assinalada em 2010. Em termos aritméticos, 2010 registrou 32 assassinatos de moradores de rua, ou seja: 2,66 mortos por mês; 2011, até a penúltima semana de abril, com 11 assassinados nas ruas, está cravando 2,75 trucidados por mês. As greves na segurança pública não parecem afetar a insegurança dos despossuídos, assim como o labor investigativo não consegue apresentar resultados positivos na elucidação dessa série de homicídios. E o problema, escandaloso, tende a aumentar. Não é fácil resolver crimes como esses, perpetrados contra os excluídos. Mas o mais lamentável é a tentativa de minimizar a tragédia, esgrimindo conceitos burocráticos e fazendo firulas estatísticas. Alagoas não pode fechar os olhos frente a este horror.