Opinião
�guas anunciadas
Conforme esperado, e repetido por séculos, a natureza despeja chuvas nesta época do ano. Águas, para além de março, que seguirão caindo até meados de julho. No próximo ano será a mesma coisa, como no ano passado. No passado recentíssimo, muitas foram as tragédias decorrentes do olvido desta tradição natural. Em Alagoas várias cidades ribeirinhas ainda esperam as reconstruções do que foi levado pelas enxurradas. E, no presente, muitas são as áreas de risco expostas, vulneráveis, em função da simples falta de observação sobre os fenômenos naturais. A desconsideração popular para com as regras do clima é perigosamente turbinada pela inação do poder público em fiscalizar as ocupações desses perímetros inundáveis, assim como impedir a temerária povoação de encostas susceptíveis a desabamentos. Este perigoso casamento, unindo ignorância e descompromisso para com medidas preventivas tem gerado rebentos terríveis, pois quando as chuvas vêm em quantidade um pouco maior que o mínimo o desastre é inevitável. A questão é que a maioria desses desastres (os alagoanos, pelo menos) seriam perfeitamente evitáveis se fossem observados cuidados mínimos em relação as conhecidas características do clima subtropical que marca este pedaço de Brasil. Ravinas deveriam ser rigorosamente preservadas, pois nada mais são que calhas naturais para o escoamento do excesso d? água das chuvas. Ao contrário, os poderes públicos fecham seus olhos ao povoamento irregular das chamadas ?grotas?. Da mesma forma, as margens dos rios são inapelavelmente ocupadas à revelia dos cuidados com os perímetros naturais das enchentes. Quando as águas cobram seu espaço sobrevêm os desastres e os insuficientes esforços para acudir os flagelados. Quando prestaremos atenção à máxima que ?mais vale prevenir que remediar??