Opinião
Adeus ao apaixonado pela not�cia
Diante da notícia que chega às redações jornalísticas, o dia acabou. O sentimento de perda toma conta das notícias. E o luto oficial dentro de cada coração jornalístico é certo e decretado. Alagoas nunca presenciou o silêncio profundo diante da maquina de café e dentro das redações como foi marcado o ocorrido no dia 02 de maio. Ródio Nogueira, jovem jornalista de apenas 61 anos, mas um velho apaixonado pela profissão jornalística e principalmente pela área policial. Era um amor incondicional que fazia questão de retratar os principais casos que marcaram a sua vida. Cada detalhe era contado com uma simplicidade e uma humildade que fascinava a quem ouvia. Inúmeras vezes procurava ouvir os seus conselhos a respeito da atuação jornalística. Jovem, imaturo e inexperiente na arte e no ofício da profissão, eu, prestava mais atenção no pedaço de palito de dentes que delicadamente Ródio mastigava e em volta das suas experiências ?viajava? ao longo das aventuras que eram contadas. Nunca cansava de reunir os amigos e colegas de faculdade para contar as experiências vividas por ele e confidenciadas a mim, compartilhando os conselhos e orientações que, sem medo de mentir, ainda hoje são seguidas à risca. E não era para ser esquecidas, tendo em vista que ele carinhosamente era chamado por muitos, a quem eu citava o seu nome, como o dinossauro do jornalismo alagoano. Aterrissou, maneira como ele mesmo me falou sobre o primeiro dia em uma redação, no Jornal de Hoje, nos meados dos anos 60. Ganhou o prêmio Esso de 1980, pelo O Jornal. Integrou o corpo de jornalismo do Jornal Gazeta de Alagoas por mais de oito anos. Foi radialista e atualmente escrevia para o Jornal Extra. A sua maneira de fazer jornalismo é que cativava a muitos. O seu jeito todo especial em se relacionar e brincar com as letras é que mais parecia que ele já havia nascido para isto e estava predestinado para tal. Mas o relacionamento chegou ao fim. Foram 15 dias de sofrimento. Familiares e amigos, muitos sofriam silenciosamente e apenas rezávamos para que a sua recuperação fosse rápida. E que nos permitisse ler novamente os seus textos, quando não ouvi-los novamente na voz do radialista Silvio Sarmento. Mas as letras pararam. E o vazio nas páginas policiais ocupou as manchetes na manhã desta segunda-feira, 2 de maio. Este dia ficará marcado para sempre, como o dia que as redações de Alagoas silenciaram e por um instante a dor foi a responsável por preencher e informar a sociedade. Não existem palavras finais. Sempre estará estampado e imortalizado no percurso jornalístico de Alagoas. Restando apenas um último adeus de um aspirante que foi influenciado por seus ensinamentos e doutrinamentos da área, na certeza de nos encontrar, futuramente, em algum lugar dedicado para os jornalistas na eternidade. Deixo para a família os sentimentos e que as dores estão sendo igualmente compartilhadas. (*)É jornalista e poeta popular de Alagoas.