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Opinião

Caixa de Pandora

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O mito da Caixa de Pandora ultrapassou a barreira do tempo e do espaço e alcançar a contemporaneidade. Guardadas as devidas proporções, o que era mitológico tomou corpo de extrema realidade na vida de cada cidadão. A incerteza e a insegurança nunca caminharam tão próximas. Parece que a esperança se esvaziou e, em contrapartida, todos os sonhos tornaram-se pesadelos. Vidas foram arrebatadas deste plano terrestre; empresários de pequeno ou grande porte sucumbiram, esmoreceram e recuaram diante do poder do crime desorganizado. Imagine se fosse organizado. A vida do policial, militar ou civil, nunca esteve tão vulnerável. É incontável a quantidade de policiais que já tombaram no cumprimento do dever ou em decorrência do cumprimento deste mesmo dever. Interessante é que a área da primeira linha de defesa do cidadão, relacionada aos Direitos Humanos, muito eficiente na cobrança de providências quando o Estado erra ou falha, quase crucificando o policial, não apresenta a mesma vontade e de ansiedade quando a vítima é o Agente da Lei. O Conselho de Segurança, que tem uma proposta de trabalho elogiável, se perdeu no transcurso da teoria para prática; não conseguiu andar de forma equilibrada numa linha reta, tornou-se analista, consultor, julgador, investigador, menos conselheiro. O Conselho, apesar de todos os esforços de seus membros, assumiu um leque de atribuições que não seria de sua competência, dificultando assim a possibilidade de cumprir sua nobre e real função, que seria oferecer proposições na área de segurança para o governo estadual. O que fazer? Chorar? Lamentar? Criticar? Entendo que não. Os maiores exemplos de Resistência e de Reconstrução ainda pertencem ao Japão, Alemanha e França. É do caos que se ressurge para um novo momento. Quando o secretário de Defesa Social foi enfático ao afirmar que éramos sim o Estado mais violento da Federação, foi exaustivamente massacrado. Com certeza, a exemplo das medidas de recuperação tomadas por estas potências estrangeiras, a solução do setor de segurança aqui em Alagoas não é um dos 10 trabalhos de Hércules para o Coronel PM Dário César; é muito mais do que isso, exige uma postura participativa de todos os segmentos da sociedade, exige transversalidade entre os órgãos de governo, mais particularmente as Secretarias do Estado e Município que têm sintonia multidisciplinar com a área de segurança. A situação atual na área de segurança, apesar de supercrítica, ainda permite vislumbrar um sinal de esperança. A sobrevivência a esta onda de insegurança e incerteza dependerá exclusivamente do equilíbrio e cautela do mandatário maior. Pois, tornam-se perigosas as decisões tomadas pela pressão do clamor público ou por sugestões decorrentes de interesses particulares de terceiros. A sociedade nunca esteve tão ávida por uma solução eficiente e satisfatória. A chave da Caixa de Pandora mais uma vez está na posse do Governador e de sua equipe de governo; depende de sua própria inteligência, perspicácia e perseverança para não ficarmos de novo nas mãos do destino, das intempéries e da maldade humana. (*) É coronel da PM, jornalista e bacharel em Direito.

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