Opinião
Gestos pela paz
Ainda em meio ao torvelinho nucelado pela morte do terrorista mais procurado do mundo, ações pacifistas (planejadas bem antes do fim de Bin Laden) trazem luz através de protestos pacíficos na sofrida Faixa de Gaza. Embora todas as principais manchetes em todas as mídias do mundo estejam, desde a noite de domingo, cedendo os seus mais generosos espaços para a ação dos militares americanos no Paquistão, duas notícias pacíficas, naturalmente com destaque bem menor no noticiário, atraem as atenções de quem se preocupa com a paz naquela região explosiva. Coincidindo com a anunciada morte de Osama Bin Laden, maior referência do terrorismo contemporâneo, a aterrorizada Faixa de Gaza foi palco de duas ações muito significativas em defesa da paz e do entendimento entre os povos. Uma dessas ações se deu no segmento do esporte, outra semeou no campo da cultura. Ambas foram alvissareiros sucessos. Na terça-feira, 3 de maio, o maestro judeu Daniel Barenboim (nascido na Argentina e também cidadão israelense) regeu, em plena Faixa de Gaza, uma orquestra integrada por músicos europeus em um concerto pela paz. Evitando proferir declarações políticas, o maestro buscou minimizar os riscos de retaliação por parte do governo de Israel, (o artista usou a fronteira egípcia para acessar a faixa proibida). A apresentação foi um comovente sucesso. Ontem, dia 5 de maio, foi a vez do esporte, através realização da primeira Maratona de Gaza. O trajeto uniu as extremidades Norte e Sul do território, que tem a extensão de 42 km e foi vencida por um atleta olímpico, Nader al-Masri, de 31 anos. A prova, não competitiva, teve a participação de inúmeras crianças,que em cada povoado, corriam alguns metros. Outro grande sucesso. Oxalá essas demonstrações pacíficas iluminem os corações e asmentes dos líderes mundiais.