Opinião
Minha terra
MILTON HÊNIO* Amanhã estaremos comemorando mais um aniversário da Emancipação Política de Alagoas. Após a nossa Emancipação, quando Alagoas foi tornada Capitania independente, aos 16 dias de setembro de 1817, por decreto de d. João VI, iniciou-se um período turbulento, o da fixação dos limites entre Alagoas e Pernambuco. É que o decreto régio não fixava os limites divisórios. De 1817 até 1889, quando foi proclamada a República, foi espantosa a quantidade de políticos que assumiram o governo, que dirigiram o nosso destino. Exatamente 139 homens administraram nossa querida terra. Foram 72 anos de intrigas internas, confusão e muita discussão. O saudoso e notável poeta alagoano Jayme de Altavilla, em seu livro ?História da Civilização das Alagoas diz: ?As administrações provinciais de Alagoas foram de tal agitação política que poucas conseguiram deixar marcas duradouras de sua passagem?. Continuando nessa trajetória de confusão política ? diz ainda o historiador. ?O primeiro governo de Alagoas eleito pelo Congresso Constituinte foi Pedro Paulino da Fonseca, homem de cultura e de boas intenções. Entretanto, os ânimos se encrespam e seguem os governos turbulentos de Manoel de Araújo Góes (14 de junho a 23 de novembro de 1891) e Gabino Besouro, este último dotado de visíveis qualidades de administrador. Porém cedo, incompatibilizado com a politicagem da terra, é obrigado a deixar o cargo. Por aí vocês vêem que os atritos pelo poder de Alagoas já se arrastam por muitos anos. Mas, deixando de lado essa parte ?afetiva? dos políticos alagoanos, essa ?união? que, infelizmente, em nada ajuda ao progresso de nossa terra, quero homenagear minha terra com versos, com poesia, considerando que ela, pela sua beleza notável, já é um poema vivo. Alagoas ? apenas sete letras pequeninas formando um conjunto precioso é o mais lindo pedaço do Nordeste. Minha terra, meu encanto, meu tesouro. Ah, como te quero minha terra adorada. Terra boa, de tradições. Foste o celeiro de heróis e de guerreiros vibrando em conquistas de emoções. Aqui vivi toda minha infância. De cima do Farol olhava o teu cenário. Vejo-te ainda linda, entre a Manguaba e o mar. Tão delicada como um relicário. Imenso coqueiral frondoso te enfeita. Como sentinela da esperança. E é riqueza da terra, é doçura. Tem sussurros plenos de bonança. Alagoas, minha terra pequenina. Berço da minha infância descuidada. És do Brasil, a brasileira terra. Por mim eternamente decantada. (*)é médico