loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Cidad�os do c�u

Ouvir
Compartilhar

O celibato sacerdotal continua sendo ? principalmente no contexto pansexual em que vivemos ? contestado, incompreendido e, muitas vezes, ridicularizado. No entanto, a reflexão que se segue não é uma apologia ao celibato diante de um mundo hostil, mas uma meditação da riqueza desse dom dado por Deus à sua Igreja. Na nossa Igreja latina o celibato sacerdotal é uma norma. Aquele que possui vocação ao ministério sacerdotal e está cônscio de não ter recebido o dom de renunciar à vida conjugal não pode ser padre.. O celibato, no entanto, não é uma norma fria, canônica tão somente. Não se trata de simplesmente não casar. O celibato é um dom que manifesta ao mundo uma das realidades da vida futura. ?Nós, porém, somos cidadãos do céu?, nos diz São Paulo em Fl 3,20. Eis a melhor definição do que é ser padre celibatário: habitante do céu. E como serão as relações dos habitantes do céu? O próprio Jesus nos responde: ?Na ressurreição, nem eles se casam e nem elas se dão em casamento, mas são todos como os anjos do céu? (Mt 22, 30). Pode-se objetar: mas Jesus fala da ressurreição e não do tempo presente. A refutação é legítima. Mas é exatamente aqui que está a riqueza do celibato: entre o ?já e o ainda não? do tempo da Igreja, o celibato antecipa para o ?já? aquilo que seremos no futuro. O padre deve apresentar já agora para o mundo de hoje a face do homem novo, ressuscitado. O celibato torna concreto aquele desejo de todo coração verdadeiramente humano: amar de um jeito novo, amar com o coração de Cristo e no compasso do seu sentir. Jesus, o habitante do céu, trouxe para esta terra de exílio a experiência de ter um coração dilacerado de amor, e ao mesmo tempo livre de um amor em particular e exclusivista. O padre renuncia ser marido e pai biológico. No entanto, essa renúncia permite-o ser não somente esposo e pai, mas irmão, filho, à medida que o seu coração vai se entranhando de amor e misericórdia pelos que lhes são confiados; ao passo que ele vai sofrendo com os que sofrem e se alegrando com os que se alegram. O cristão deve desejar o céu. Se não o faz, é um meio-cristão. Muito mais o sacerdote; ele não somente deseja o céu, como já vive aqui uma das realidades eternas. Evidentemente, como o Cristo ressuscitado traz as marcas da sua imolação, o celibatário manifesta o homem novo com as marcas das tentações e desafios próprios de seu tempo. Ser celibatário é o dom de um jeito novo de amar. Dom que é um dos frutos do Espírito em nós: a castidade. Essa graça deve ser tão marcante nos padres, que, ao olhá-los, as pessoas aspirem às realidades eternas, desejem serem também habitantes do céu. (*) É diácono ([email protected]).

Relacionadas