Opinião
Escravos do medo
Quando o comportamento de uma sociedade é ditado pelos bandidos, esta sociedade está muito doente. Pior ainda quando esta mesma sociedade é fustigada, ameaçada, agredida constantemente e não reage, certamente, esta sociedade se encontra mais do que gravemente enferma, ela está agonizante. Este é o caso em Alagoas. Pequenos e médios empresários já não tem tranqüilidade para trabalhar e muitos cerram as suas portas causando frustração e desemprego. Uma classe média angustiada, temerosa de sair de suas casas, aprisionadas, sem ter a quem recorrer consumidas pela angustia, quando filhos adolescentes vão aproveitar a noite nos finais de semana. Este Estado hoje só é bom para os poucos ricos que nele vivem, ou somente, passeiam. Eles, na maioria das vezes, tem outras residências fora, algumas vezes até no exterior. Poucos utilizam daqui os serviços locais, e os seus carros são blindados. Porém este é um privilégio de uma minoria, que não sofre as agruras de um Estado completamente desordenado, sem segurança, sem saúde e sem educação. Estado este que detém o pior IDH do País. O IDH ou índice de desenvolvimento humano é um instrumento da Organização das Nações Unidas para medir a qualidade de vida de um povo. A sociedade alagoana está mais doente do que qualquer pessoa possa imaginar. Esta doença é caracterizada pela inércia que domina um povo que sofre violações diárias. A ausência de reação condena as pessoas a não cumprirem uma determinação fisiológica que é a de diante de uma agressão lutar ou fugir. Com essa ausência de reação mutilam os corpos e almas. É preciso que a classe média empreendedora, os profissionais liberais, as igrejas e os intelectuais se unam num movimento de repúdio a esta letargia moral que se instalou por aqui. Há tempo para tudo debaixo do Sol conforme o Eclesiastes. Se a elite dirigente de Alagoas não tem interesse ou autoridade, ou capacidade para resolver este e outros graves problemas desta população sofrida que o povo tome a iniciativa, antes que os prédios da Ponta Verde e outros bairros sejam invadidos e os habitantes dos mesmos trucidados. Propositadamente não falei sobre os pobres, porque estes vivem permanentemente em condições subumanas e de humilhação completa. Pessoas que perdem a capacidade de se indignar e não esboçam qualquer reação por medo ou acomodação, perdem o potencial de evolução, que é inerente a cada ser humano. Com isso se tornam apenas escravos do medo. (*) É médica e professora da Ufal.