Opinião
Mis�ria
A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, declarou anteontem, em Brasília, por ocasião da 14ª Marcha dos Prefeitos, citando como exemplo a cooperação das prefeituras com o Programa Bolsa Família, que a participação delas será fundamental para o sucesso do Plano Brasil sem Miséria, com lançamento previsto para junho. Esta iniciativa irá, segundo a ministra, integrar as várias ações federais de combate à miséria voltadas às famílias com renda per capita mensal de até R$ 70. O governo federal é sabedor que a maioria dos brasileiros nesta situação é formada por pessoas negras ou pardas, jovens e que vivem no Nordeste. São 18,1% da população, em comparação com os 8,5% nacionais. Em seguida aparecem o Norte (16,8), Centro-Oeste (4), Sudeste (3,4) e Sul (2,6). Também é do seu conhecimento, com base nos números divulgados pelo IBGE, no começo do mês em curso, que 20,3% dos alagoanos sobrevivem dessa maneira. Inclusive, o nosso Estado é detentor do terceiro pior índice proporcional do País (Maranhão tem 25,7% e Piauí 21,3%). No entendimento da mesma ministra, erradicar a condição de extrema pobreza que, conforme o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atinge 16,2 milhões de brasileiros, exige, além da continuidade do crescimento econômico com distribuição de renda, políticas públicas de inclusão e desenvolvimento social. ?Não basta o País crescer economicamente para incluir estes 16,2 milhões brasileiros. É preciso o apoio do Estado brasileiro para superar sua condição de vulnerabilidade?. E, como disse o especialista Carlos Miranda, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura no Brasil, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, deve trabalhar esses grupos de acordo com suas características e interesses.