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Opinião

A constru��o da pr�pria santidade

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Embora a morte de Bin Laden tenha tomado a cena, o processo de beatificação de João Paulo II é um tema que me fez pensar. Pensar sobre a autoridade da Igreja Católica para julgar a santidade de alguém. Imaginar a burocracia vaticana analisando provas materiais para justificar fenômenos de natureza espiritual. E, finalmente, ver como a cenografia ritualística da missa solene celebrada pelo sumo pontífice, assistida por chefes de Estado do mundo inteiro, transmitida via satélite chegou ao entendimento de cada fiel. A partir daquele momento o último papa é um santo? Independentemente do plano espiritual, a santidade é uma construção pessoal sem qualquer meta preestabelecida. São ações de caráter pessoal, vida e comportamento que justificam suas qualidades. A palavra ?santo?, dificilmente, será bem definida no dicionário. No entanto, a referência a alguém com tal adjetivação se reporta, essencialmente, a sua conduta reservada para os assuntos do bem comum e de sua relação de amor com o seu próximo, mérito maior do homem Karol Vojtyla. Qualidades que vamos encontrar em Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce e tantas outras pessoas que poderíamos chamar santas. No entanto, é um grande equívoco imaginar que a santidade seja uma prerrogativa católica ou mesmo cristã. Aquilo que apelidamos de santidade não tem credo ou religião, tem amor. Amor pelo seu semelhante, amor pela vida, amor pela morte. Neste último caso este amor (pela morte) é a consciência plena da fragilidade do corpo e das coisas materiais perante o bem maior ? a vida. Nenhuma religião faz do homem bom. A bondade humana no seu mais amplo conceito está bem acima de qualquer preceito religioso. Não importa se não creio no espiritismo, mas não posso ignorar a experiência de vida de Chico Xavier. O pastor Luiz de Assis fundou o Lar Batista Marcolina Magalhães, no Bairro do Tabuleiro. Eu o conheci quando era bancário e praticamente todos na agência contribuíam, financeiramente, para o seu trabalho social. O gerente era espírita e nem por isso ele deixava de receber os presentes, doces, bolos e salgados que sua esposa preparava para comemorar o dia das crianças e outros festejos. Nunca convidou ninguém para mudar de religião. Nunca distribuiu um folheto. Sua vida é que era um exemplo. Se é possível tratar alguém como ?santo?, ele era um deles. Porque está lá escrito em Romanos 2,14: ?(...) quando os que não têm a lei fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei.? Assim, não vejo instituição terrena capaz de outorgar santidade a qualquer pessoa. (*) É escritor.

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