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Opinião

Limites no combate ao crime e ao terrorismo?

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No fim de semana passado, quando fazia uma semana da eliminação do líder terrorista Bin Laden, a Gazeta de Alagoas publicou uma oportuna entrevista com o ex-secretário de Segurança Pública coronel Amaral, onde o respeitado militar reafirmava sua crença no uso de métodos ultrarradicais no combate à criminalidade. O coronel Amaral reafirmava que bandido bom é bandido morto. O que poderia, a princípio, parecer uma postura retrógrada e incivilizada, diante da elevação da violência no País, em particular em nosso Estado e do rumo que tomou o combate ao terrorismo internacional, embora cause repulsa nos defensores intransigentes dos direitos humanos, parece adequar-se ao momento atual. Em relação à situação internacional, recordemos: quando, alguns anos atrás, Israel eliminou os líderes islâmicos Ahmed Yassin e Abdel Ranhsi, cofundadores da organização Hamas, a comunidade internacional não aceitou bem esta lógica operacional, até porque os eliminados eram mentores e não executores das ações terroristas. Israel, em defesa própria, proclamou não fazer distinção entre os escalões operativos (militar) e decisórios. Quem decidia também deveria ser punido. Emergia ali uma nova doutrina antiterrorista, agora assumida integralmente pelo democrata Obama e majoritariamente pelos EUA: as pesquisas de opinião internas dão ampla e folgada margem de aprovação à ação militar que eliminou Bin Laden, independente das quebras do arcabouço legal internacional.Possivelmente, com raras exceções, tais pesquisas teriam resultado semelhante na maioria dos países ocidentais. Em nossa sofrida Alagoas, seria factível uma pesquisa de opinião, onde as pessoas se manifestassem sigilosa e sinceramente sobre as propostas do coronel Amaral no combate à selvagem criminalidade -- que o virulento grevismo reinante nas polícias Civil e Militar só agrava -- e que dia e noite, a todos ameaça e atormenta?Qual seria o resultado? Antes que a gravíssima situação da segurança pública local nos obrigue a intimamente aceitarmos como única saída à postura ultrarradical,antes que a sedução de ?cortar o mal pela raiz? nos contamine,lembremos que um poder sem controle pode degenerar em autoritarismo; basta que a definição do justo se torne privilégio de um pequeno grupo de pessoas. Todo-poderoso precisa ser vigiado. As instituições e o arcabouço legal não podem ser superados, mesmo que momentaneamente e tendo como fundamento as causas mais nobres, pelo uso da força ilimitada e pela violência institucionalizada. Está em jogo, simplesmente, a democracia. (*) É médico.

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