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Opinião

Homenagem aos velhos

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Em artigo publicado nesta Gazeta de Alagoas, em 6 de maio último, dom Edvaldo Amaral, arcebispo emérito de Maceió, com muita propriedade, razão e direito, condena notícias ?anti-humanas e anticristãs?, publicadas em alguns jornais da Europa, ofensivas às pessoas idosas. Não se pode menosprezar a experiência dos mais velhos, que considero um erro tolo e primário. O tal preconceito de idade é odioso e nocivo, que afeta tanto os homens como as mulheres. Evidente que entre os defeitos sociais ainda existentes na sociedade brasileira, principalmente no Norte e Nordeste, de origem e formação patriarcal, ainda se situa tal preconceito no que se refere à questão da faixa etária dos brasileiros em geral. Causa maior estranheza, suspense e revolta mesmo, tal noticiário sobre o assunto, vez que, na velha e sempre jovem Europa, a questão de idade é quase desconhecida, porquanto o europeu tem outras concepções de vida social e humana. A questão de idade pessoal também existe nos poderes constituídos, nos 3 ramos em que se divide o Estado dito democrático. Desde que os fios prateados vão polvilhando as cabeleiras de homens e mulheres, começa a entoar o canto fúnebre da vida social do ser humano, vai passando a ser marginalizado, com as exceções naturais, considerado política e administrativamente quase inútil, sempre sob a falsa alegação de que, à proporção que os anos de vida aumentam, o ser humano vai perdendo o instinto de progresso social. Para dar uma amostra que os homens da 3ª idade não são inúteis, citemos homens que governaram o nosso País, como Afonso Pena, Rodrigues Alves, Campos Sales, o alagoano Floriano Peixoto, Getúlio Vargas e outros, todos estadistas e de cabeleiras prateadas. Na Europa, lembremos de Adenauer, soerguendo a Alemanha na grande guerra de 1945, de De Gaulle, revitalizando a França, de Churchill, na Inglaterra, e Roosevelt, comandando o mundo. Finalmente, o saudoso Papa João Paulo II, hoje, Beato, afirmou o que é o odioso: ?Os anciãos ajudam a contemplar os acontecimentos com mais sabedoria, porque as vicissitudes os tornaram mais experimentados e amadurecidos. São guardiões da memória coletiva, intérpretes do conjunto de ideais e valores humanos que mantém e guiam à convivência social?. (*) É Procurador de Estado e membro do Instituto Histórico de Alagoas.

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