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A ponta do iceberg

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A semana termina tempestuosa para duas figuras públicas poderosas. O diretor-geral do FMI, o francês Strauss-Khan, acusado de tentativa de estupro e o chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, acusado de enriquecimento ilícito. Se o que os levou ao topo da mídia, foi a prática de atos deletérios, o desdobramento dos dois casos até agora tem sido diferentes. Strauss-Khan, até então um frade franciscano, surgia como forte candidato socialista em oposição à reeleição de Sarkozy, foi preso nas condições mais humilhantes possíveis. Pressionadíssimo renunciou ao poderoso cargo e provavelmente à candidatura à presidência. Não será Sarkozy, mas sim o partido ultranacionalista e sua candidata, Marine Lê Pen os maiores beneficiados com o escândalo. Os marxistas que tanto espinafravam o FMI nos tempos da Ditadura, continuam com a razão --- o FMI, de uma forma ou de outra, sempre beneficia a direita mais radical. Palocci, interlocutor do alto empresariado junto ao Planalto, não esclareceu como seu patrimônio cresceu 20 vezes tão milagrosamente. O jus esperniandi da oposição e o grito da mídia mais independente no momento não tiveram retorno, mesmo porque os partidos da base aliada do governo defendem coisas até muito piores, desde que os seus interesses sejam preservados. Médico sanitarista viu sua consultoria ser aquinhoada com mais de 20 milhões de reais somente no ano passado, quando estaria cuidando exclusivamente da candidatura Dilma e fora do poder. Não foi como médico do PSF que Sua Excelência aquinhoou tamanha fortuna. Palocci conta não só com a defesa bovina de seus companheiros da base aliada, como também com a cultura reinante no País,excepcionalmente exacerbada no governo Lula, de que quem está no poder no Brasil tudo pode; não precisa responder à opinião pública. Strauss-Khan,caído em desgraça, viu fluir uma avalanche de denúncias de assédio sexual. Homem poderoso viu ruir um passado, um presente e um futuro por um impulso momentâneo. É o ?dark side?, que os freudianos afirmam ser a todos comum, Fase Fálica irresolvida que até então pairava imersa nas sombras do poder. A tentativa de estupro seria apenas a ponta do iceberg. Palocci é um caso diferente: via ?companheiros? afloraram-lhe algumas riquezas acumuladas no vácuo de sua proximidade com o Planalto. Fato recorrente, elaborado cientifica e meticulosamente também por outros personagens ligados a história recente do poder planaltino. Cheira a tráfico de influência e repasse de informação privilegiada. Seria apenas a ponta do iceberg. (*)É médico.

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