Opinião
Pelo fim da baderna
Inegavelmente, o formato das manifestações promovidas pelas lideranças dos servidores públicos alagoanos ultrapassou os limites da civilidade e do bom senso. Não pode negar aos servidores públicos alagoanos o direito de reclamarem por proventos maiores. Mas, antes disso, não se pode permitir que a população alagoana seja usada como refém de atos violentos supostamente praticados em defesa de aumentos salariais de quem quer que seja. As agressões promovidas por esses movimentos ?sindicais?, em verdade, já passaram dos limites há anos. E a tolerância governamental para com esses desmandos recorrentes tem se confundido com permissividade, leniência, senão perigosa cumplicidade. É normal, ao fim de um processo reivindicatório atritado, do tipo greve, ser incluída na pauta final algum tipo de anistia, que perdoe e remeta ao olvido alguns pequenos excessos e os ?dias parados?. Esta prática ancestral, porém, nunca foi extensiva a ações criminosas, como a destruição do patrimônio público e outras formas de danos cometidos a terceiros. Igualmente, no tocante a mobilização de militares, a disciplina e a hierarquia têm de ser preservadas como pilares sobre os quais todas as corporações deste tipo precisam se apoiar. Igualmente, os gentes públicos civis, armados, devem ser chamados à razão quanto ao uso indevido de sua força enquanto ?manifestantes?. Estas ocorrências não devem ser confundidas como ?pequenos excessos? nem podem estar listadas dentre os atos anistiáveis. No caso alagoano é certo que certas atitudes estimulam a revolta dos servidores, como o recente aumento autoconcedido aos polpudos proventos dos deputados estaduais, mas daí a permitir-se converter sindicalismo em banditismo é um erro imperdoável. Governo e sindicalistas devem assumir suas responsabilidades e darem um fim a esta baderna.