Opinião
AT� QUANDO?
A erosão da faixa de praia e o descaso com o saneamento básico são evidentes em Maceió. Há soluções técnicas (distintas das atualmente utilizadas), mas passam também em fazer com que moradores de outros bairros não só tenham na frágil orla, protegida por arrecifes de corais cada vez mais degradados e sem qualquer proteção, a única opção de lazer e de contato com a natureza do maceioense. Por que não se recupera áreas verdes da região alta (Tabuleiro) antes tão rica de vegetação da Mata Atlântica e de sítios com árvores frutíferas do Farol? Sobrou quase nada, mas há ainda grandes latifúndios urbanos. Somente shopping centers e casas de materiais de construção? E a orla lagunar, a dos fundos da cidade? É para ser sempre desprezada por ser a dos pobres, apesar de todo encanto que deu o nome do Estado? A inexistência de parques públicos em toda região metropolitana só implicará em mais degradação das orlas da Pajuçara e Ponta Verde. A praia da Avenida tem lá a contribuição contínua e fétida do Salgadinho. Outrora, a praia das areias mais brancas e cristalinas de nosso belo litoral alagoano tão cantado em versos e prosa. Fazem monumentos e construções, barracas, restaurantes para esconder o que é de mais belo: o mar azul esverdeado, único de Alagoas, contornado por coqueirais. Quer mais bonito? Como? Só o enfeiam com a intervenção humana. Por que não constroem os ?morros? artificiais nos bairros onde a maioria do povo vive e que precisa também reverenciar a história dos ilustres alagoanos e brasileiros de um modo geral? Por que não um teatro aberto (como na Era Clássica grega e copiado pelos romanos) com o nome de Selma Brito ou Djavan para se ouvir também um bom forró como um candidato a prefeito se dizia gostar, antes de se tornar candidato há anos passados? Há ?grotões? na Formação Barreiras, atualmente ocupadas por populações de baixa renda e condições bastante precárias, onde se adequariam excelentes intervenções neste sentido além da revegetacão para se evitar deslizamentos em épocas chuvosas. Custaria bem menos que ?outras obras? realizadas que poucos se beneficiaram. Em lugares planos da cidade, os ?morros monumentos? (a exemplo do dedicado ao grande e saudoso Senador Teotônio Vilela) poderiam ter até um efeito de valorizar bairros planos apinhados de casas e sem belezas naturais (pois sequer há vegetação). Outra área da cidade com um morro daquele construído na frente do mar da Pajuçara até que não seria má ideia.... Na realidade, proliferam os bares de cadeiras de plásticos medíocres para se tomar cerveja em todo canto da cidade como a ?opção cultural?. Nada contra, mas somente isso? Tudo isto clama por maior conscientização de todos e, principalmente, por parte dos atuais e futuros gestores públicos desafinados com o interesse da comunidade e preocupados apenas com a preservação ou tomada do poder por meio de eleições a cada dois anos que se tornaram, por isso, nos horizontes máximos da visão e ?planejamento? para fins apenas eleitorais. É um ?porre de democracia? com espírito exclusivamente de curto prazo que só deseduca e tira sossego de todos por meio de ?campanhas? que parecem mais zombar de nós, os eleitores, de tanta poluição sonora e visual. Até quando?