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Opinião

Preconceito lingu�stico

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Recebo do médico Deusdedit Pinheiro, membro da Academia Alagoana de Medicina, um e-mail sobre a polêmica provocada pelo livro ?Por uma vida melhor?, distribuído às escolas públicas pelo Ministério da Educação, no qual é defendido o uso da língua popular e considera válidas ? na linguagem oral ? expressões como ?os livro? e ?nós pega o peixe?. Transcrevo um trecho do e-mail do dr. Deusdedit: ?O nosso Ministério da Educação distribuiu às escolas (a cerca de 500 mil alunos) um livro de português, onde a autora preconiza como perfeitamente aceitáveis erros de grafia e concordância, tão comuns hoje em dia, no linguajar dos jovens?. Continua: ?Como justificativa informa o Ministério que nas diversas provas será exigido o uso da língua culta?. Esse assunto provocou numerosas discussões durante toda a semana que passou. Encontro um texto favorável ao pensamento do dr. Deusdedit: ?Doutrinar crianças com a tese de que não existe certo ou errado no uso da língua é afastá-las do que elas mais precisam para subir os degraus da hierarquia social. É na sala de aula que as crianças se libertam de erros de pronúncia e aprendem a distinguir o certo do errado?. Opinião ouvida de um professor de linguística: ?A linguística moderna não despreza a norma culta, mas mostra que a língua evolui e muda com o tempo, gerando variantes linguísticas?. ?Preconceito linguístico?, hoje em pauta, é o título de uma obra do professor Carlos Bagno, publicada em 1994. Nesse livro ele defende que é necessário apoiar alunos que vêm de classes menos favorecidas, evitando opressões ou críticas severas. Acredito nessa tese de não-opressão, de respeito às diversidades, não somente em relação à ciência da linguagem, mas, também, a outros preconceitos que são comuns em algumas escolas: aos portadores de dislexia, síndromes neurológicas, cadeirantes, deficientes visuais e outros. Mas cabe ao professor ensinar o que é correto. Entretanto, é fácil imaginar que, se os alunos da rede pública adotarem erros de concordância verbal como regra, terão muitas dificuldades no futuro, desde que a norma culta da língua será sempre exigida nos concursos, provas e avaliações. Pense o leitor, que mesmo na linguagem coloquial, familiar, oral, chama a atenção o uso de ?os livro?, ?os home espera?, ?nós achamo?, ?nós pega o peixe?. Se o aluno chegar à escola com esses erros, creio que não será preconceito linguístico corrigi-lo, pois educar é ajudar a crescer. Do poeta português Fernando Pessoa: ?A língua portuguesa é minha pátria?. (*) É médico.

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