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Opinião

A crise de identidade do Ocidente

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A morte de Osama Bin Laden trouxe à tona a crise de identidade do Ocidente e o futuro sombrio de uma cultura que há muito tempo perdeu o seu elã cristão. É lamentável ver as potências ocidentais titubearam no apoio à ofensiva protagonizada pelos Estados Unidos contra o terrorismo e o fanatismo islâmicos. E qual a causa desse comportamento claudicante? É o ?bom- mocismo? dos estados laicos que não sabem mais de onde vieram e para onde vão. Desde a proclamação da laicidade ? e isto é uma conquista ? negamos reiteradamente as nossas raízes cristãs, os valores que fizeram da Europa ? e consequentemente de suas ex-colônias ? o que ela é exatamente na sua riqueza e diversidade cultural. Desde o conceito de pessoa, passando pelo direito, pelas noções de igualdade, liberdade e fraternidade, açambarcadas pela revolução francesa, tudo na cultura ocidental recebeu influência cristã. A identidade é lugar de onde falamos. De tal maneira que todas as nossas manifestações denunciam onde situamos os nossos discursos, revelam a partir de quais referências fazemos as nossas escolhamos. A solidez da identidade é a base para a firmeza das posturas, servindo como uma espécie de bússola a orientar o que queremos e para onde caminhamos. Se os países ocidentais não conseguem ser coesos na luta contra o terrorismo, contra a intolerância religiosa e a perseguição cristã nos países muçulmanos é porque lhes falta um lugar-comum, negado desde o surgimento da confusão entre laicidade e laicismo. Não se abrem mão de valores, dessas referências em comum, sem comprometer o futuro. Isto é uma postura autofágica. Ou o Ocidente reconhece quem é, orgulhando-se de seus fundamentos, e, de certa forma, retornando às fontes, ou precisará reinventar-se, transformando-se em qualquer outra coisa. As transformações trazidas ao Ocidente pelo Iluminismo, pela Revolução Francesa, marcaram também a nossa cultura com o preconceito contra tudo aquilo presente nos períodos anteriores. Parece até que a nossa tradição começou a partir dali. Ledo engano. É preciso revisitar a história sem ideias preconcebidas, compreender a história com um processo contínuo. Somente revisitando a si mesmo, o Ocidente irá se orgulhar de si, possuirá novamente uma identidade sólida. E esta mesma identidade será a força na defesa dos valores basilares que acreditamos firmemente ser o sustentáculo para um mundo mais humano. (*) É diácono ([email protected])

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